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| Um dos vários tapas-bar da Carrer de la Princesa, um dos "calçadões" da Barcelona velha |
O legal de Barcelona é que todos os bairros têm seu calçadão. O
Barri Gótic e o
Raval dividem Las Ramblas, embora o segundo tenha sua própria Rambla - menor, menos genérica e com muito mais personalidade.
Ribera, ao leste, é cortado pela Carrer de la Princesa e suas fachadas de lojinhas centenárias de lado a lado e, o
Born, tem o Passeig del Born que, cheio de barzinhos, se torna muito mais respeitável após o cair da noite.
Barceloneta, já na costa, se dá ao luxo de ter dois deles: o Passeig de Joan Borbó, com vista para o porto, e o calçadão propriamente dito, de frente pro mar. Mesmo o
L'Eixample, não tão antigo quanto o resto da cidade, mas nem tão novo assim que não possa ser chamado de cidade velha, tem o seu centro de gravidade, que é o Paseig de Grácia, onde estão as melhores casas de Gaudí (mais comentadas
neste outro post aqui).
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| Cortiços do Bairro Gótico |
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| Até a fachada da sapataria tem seu charme na Barcelona velha |
Como bons calçadões, todos eles têm dezenas de mesinhas espalhadas, de todas as formas e tamanhos. Uma pena que quase nenhuma delas tenha escapado de um fenômeno que vem afetando todas as cidades mais queridas da Europa: a
cerquização das mesas de calçada. A preocupação com segurança em Barcelona é um pouco maior, dizem, por causa dos pequenos furtos que acontecem todos os dias. Eu não acredito que seja em quantidade maior que na Itália ou na França, a não ser pelo fato que, na Espanha, as mesinhas ficam pra fora mais tempo: só sai pra jantar antes das 9 da noite quem não gosta de companhia.
Pra mim, que sempre tive hábitos tardios, não podia ser melhor. Outra vantagem de Barcelona: a partir de fevereiro, já dá pra visitar só com uma jaqueta leve. E de dia você talvez nem precise. É só pra noite mesmo, quando dá aquela esfriadinha que só ajuda o vinho tinto a descer melhor.
De bairro em bairro, de rua a rua, de tapa em tapa: é fácil enxergar o charme e o romantismo de Barcelona.
Cidade Velha - Raval / Barri Gótic / Born / Ribera
Você sempre está bem localizado em Barcelona. Se, por acaso, acabar num lugar mais ou menos, vai ter algo bom a cinco minutos de caminhada ou a 10 de transporte público.
Adendo: seguindo dica da Patrícia, do Turomaquia (O BLOG a ser visitado por qualquer pessoa querendo ir à Espanha), comprei o T-10, ticket com 10 viagens em qualquer modalidade de transporte público, logo no aeroporto.
A verdade é que separar os bairros dessa região é muito difícil. As avenidassas que deixam os limites físicos bem claros são as mesmas que esclarecem que, há não muito tempo, esses bairros eram o mesmo. A alma da cidade está ali. Com todo respeito que o resto da cidade merece, aquilo é Barcelona. As catedrais e os restos de cidade medieval, com ruelas que desembocam em praças enormes dominadas por um monumento ao centro - como a Plaça Reial ou a Plaça St Jaume, fazem qualquer caminhada no Barri Gótic liberar a imaginação para tentar adivinhar tudo que já aconteceu por ali. Na Plaça Santa Maria, ao pé da basílica de mesmo nome, há tudo que é necessário: a meia luz, os artistas de rua, a igrejona ao fundo e a renúncia total à pressa. Todo mundo dividindo mesas tão juntas, que é difícil saber a qual dos vários
tapas-bar da praça elas pertencem.
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| Cantor de rua se prepara para começar apresentação |
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| Farmácias centenárias pontilham o Bairro Gótico |
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| Inércia, bar no Born, numa noite de muita ventania |
Sentia vontade de fazer uma peregrinação por esses tapas-bar todos os dias, mas era um tanto complicado. A tentação de forrar a mesa com várias porçõezinhas de coisas diferentes, apenas para experimentar, é proporcional ao preço que se paga por elas. Se a tradição das
tapas surgiu como uma cortesia para agradar clientes que ligavam muito mais pro álcool que pra comida, hoje elas tem preços mais altos que os dos drinks, embora ainda sejam usadas como desculpa para beber.
Depois de levar chapéu e pagar conta alta por comida ruim em alguns lugares, acabei criando meu próprio
tapas-bar-quality-indicator pra não cair no conto mais vezes: se escutava muito inglês, o bar devia ser ruim; se escutava espanhol, é porque era popular entre a grande comunidade de latino-americanos; se escutava um treco que soava espanhol, mas não dava pra entender nada, é porque o lugar estava cheio de gente falando catalão. Para as duas últimas opções, a conta continuou alta, mas a comida era divina.
E quase todos são bem pequenos e convidativos. Alguns tão apertados, que nem precisam de
cardápio. Qualquer cliente fica perto o suficiente da vitrine, no balcão, para apontar qual tapa quer.
Calamares fritos e pãozinho com
presunto cru (
jamón del país) são ridiculamente bons.
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| Bares de degustação de vinho também estão no auge em Barcelona |
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| Meia dúzia de pessoas se espremem no balcão deste barzinho do Raval |
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| Duas mesas e pronto. Quem precisa de bar gigante? |
Outra coisa em comum é que os garçons são, raramente, espanhóis. Muitos vêm da Índia, Marrocos, China e de outros países onde, como no Brasil, a Europa é vendida como o paraíso. Os espanhóis, mesmo, foram trabalhar no Reino Unido e na Alemanha.
A noite é eclética: boêmia, baladeira ou gastronômica, tem pra todo mundo. Uma madrugada no Born revela que Barcelona, tão aparentemente desleixada, é extremamente vaidosa. Mesmo o que está mais caidinho, parece cuidadosamente bagunçado. A cidade é muito consumida por gente jovem e adolescente não gosta de nada certinho.
E quando comer pequenas porções não for mais suficiente e der vontade de fazer um pratão, é hora de ir para a Barceloneta, pedir um peixe assado, pescado no próprio dia.
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| Bairro Gótico |
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| Começo de domingão no Born |
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| Vitrine de uma "charcuteria", ou açougue, na cidade velha |
Na cidade velha, durante o dia, as
Ramblas estão quase sempre no meio do caminho. Entre uma lojinha sem graça e outra, a avenida mais famosa da cidade mostra, no
Mercat La Boquería, onde está guardada toda a autenticidade que falta ao resto da rua. O primeiro mercado da cidade empilha frutas e peixes frescos lado a lado há mais de 170 anos e, entre os
mercadomaníacos (eu, incluso) que têm uma manga em uma mão e a câmera na outra, ainda há velhinhas com carrinhos escolhendo batata por batata. Um pouco menor e menos movimentado, o
Mercat de Santa Catarina, com seu teto ondulado e a estrutura de madeira desencaixada, que parece querer desabar a qualquer momento, também é ótimo para o primeiro
café-com-leche do dia.
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| Mercat de Santa Catarina |
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| La Boquería |
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| La Boquería é uma tempestade gourmet: cheiros e cores quase infinitas |
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| Mercat de Santa Catarina. Queria morar em Barcelona só pra fazer supermercado aqui |
Desligue o GPS. Guarde o mapa. Siga o ritmo de vida local que, ora frenético, ora interiorano, guarda
uma noite interminável seguida de uma manhã de cafés onde as pessoas conversam ao vivo e lêem jornal, ao invés de procurar o sinal de wi-fi. Em Barcelona, não é necessário deixar o mundo pra trás para colocá-lo de lado.
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