sábado, 31 de outubro de 2009

Toronto Eaton Center X Centre Eaton Montreal

As duas maiores cidades do Canadá são cosmopolitas, vivas, intensas e tem um shopping famoso com (quase) o mesmo nome.
Por serem referências, é praticamente impossível não passar por eles quando estiver visitando a costa leste canadense, mesmo quem não é muito fã de ir às compras.


Toronto Eaton Center
Inaugurado: 1977
Acesso por: metrô Dundas


Toronto Eaton Center
foto retirada de http://pt.wikipedia.org/wiki/Ficheiro:Toronto_Eaton_Centre_on_Boxing_Day.jpg


As mais de 200 lojas vão certamente causar problemas ao cartão de crédito. A arquitetura do prédio encanta: o átrio principal é lindo e faz com que a gente paralise por alguns segundos para admirar. É classudo e os preços (principalmente de roupas) não são os mais convidativos, apesar dos ítens de tecnologia sempre fazerem a gente passar vontade (a BestBuy e a loja da Apple devem ser especializadas nisso), pois no Brasil custam quase ou mais que o dobro . No centro de Toronto, talvez não haja ponto mais emblemático. Todos os caminhos levam a Dundas Square e, consequentemente, ao Eaton Center.

toronto eaton center
Eaton Center e arredores. Durante a noite, tudo fica mais
interessante por aqui.





Centre Eaton Montreal
Inaugurado: 1991, no lugar do antigo Les Terrases
Acesso: metrô McGill

centre eaton montreal
Centre Eaton Montreal


O Centre Eaton faz um papel menos exclusivo que o xará de Toronto. É, sim, um lugar feito para as compras e tem várias lojas de marcas famosas. Mas, durante o longo e rigoroso inverno canadense, quando fica impossível sair na rua, ele é quase o centro da cidade. Tem também um átrio principal que aproveita a luz natural para diminuir a claustrofobia e é muito bem organizado, mas é mais clean.
O piso reservado para exposições e eventos tinha duas mostras itinerantes espetaculares quando passei por lá: uma sobre Leonardo da Vinci, que era diferente por focar mais em sua obra como engenheiro e arquiteto; outra, uma mostra de artefatos reais retirados do Titanic que praticamente te colocava dentro do navio ao reproduzir desde as cabines (pimeira, segunda e terceira classes) até um iceberg para ser tateado e dar uma noção da temperatura da água no dia do acidente.
A praça de alimentação do Centre Eaton é gigante. Não dá pra visualizar ela inteira de um mesmo ponto, portanto você tem que andar muito se quiser ver todas as opções na hora de bater o rango.





Bilhete de entrada da exposição do Titanic.



Toronto Eaton Center
Centre Eaton Montreal
Titanic: The Articfact Exhibition
Infelizmente, não achei nenhum site com o itinerário da mostra do Da Vinci...


Veja também:
- Dundas Square, Toronto

quinta-feira, 29 de outubro de 2009

Lúki, ai éme rir

E no aeroporto de Johannesburgo...

A África do Sul inteira está em reforma. A Copa do Mundo de 2010 está pra chegar e muitas obras ainda estão atrasadas, apesar do esforço do pessoal de lá.
Chegando ao terminal de desembarque, já dava pra perceber que não estava funcionando tudo como normalmente. Havia tapumes e áreas interditadas, intercaladas com propagandas anunciando a chegada do evento. Alguns setores pareciam receber o acabamento, enquanto outros aparentavam ter recebido as primeiras marretadas no dia anterior.
Aí é batata: aeroporto que não se conhece + bagunça da reforma = pessoa perdida.
Tive que dar uma passeada razoável até achar o que queria, o balcão de informações.
Entrei na fila, porque já tinha um senhor lá, acompanhado aparentemente de sua mulher e duas crianças. E parecia já estar tentando estabelecer comunicação com a moça do balcão há alguns minutos.
Ela tinha um ar solícito, mas tinha um ponto de interrogação tão grande no rosto, que não dava pra saber quem é que estava perguntando o que para quem. O senhor fez um sinal tipo "esquece tudo que eu falei até agora" e começou de novo:

- Lúki, lúki... Ái - e apontava para si próprio rapidamente - éme rir. - e depois para o chão.
  Mái bagage - nesse ponto, o sotaque já parecia familiar - is in Lagos. Éndji náu?

Tudo pareceu ficar claro para a funcionária do aeroporto. Mas tão rapidamente quanto ela entendeu o que o senhor queria dizer, ela deve ter esquecido que ele demorou para conseguir sua ajuda justamente por causa do idioma. E disse algo parecido com:
- Mr, we don't know where your luggage is right now. Here, we're only responsible for informations about the airport, not for lost bags or such things that only your ticket issuer can deal with.

O homem continuou olhando para ela com uma expressão atenciosa, como se esperasse a continuação da resposta, quando sua acompanhante que estava logo atrás cutucou-o no ombro:
- E aí? resolveu?
Ele respirou, assumiu toda a confiança de um chefe de família e mentor da viagem e disse:
- Ela falou que hoje mesmo nos enviam as malas para o quarto do hotel.

Ao contrário da resposta do cara, descobrir o idioma que ele falava não foi nada surpreendente! Impressionante como o ouvido da gente detecta de longe quem fala brasileiro (português pode até escapar, mas brasileiro não).
Não dava pra não rir. Ninguém é obrigado a saber um segundo idioma e também não se caçoa da tragédia alheia, mas não deu pra segurar.

Ah! Na volta pra São Paulo, minha bagagem foi extraviada.

 Veja também:
- 5 cidades escondidas pela violência
- Planejando um safari na Africa do Sul
- Durban, uma ex-estrela
- Soweto, África do Sul

quarta-feira, 28 de outubro de 2009

Santiago: não vá pra lá só de passagem

A capital do Chile não está lá só pra ser atravessada do caminho entre o aeroporto e as estações de ski do Valle Nevado. Tampouco pode ser conhecida num city tour de duas horas e será muito mal aproveitada se servir apenas como base para um bate volta até Valparaíso e Viña del Mar.

Aqui vai um check list para se manter ocupado na surpreendente Santiago:

1 Admire-se com a imponência do Palacio de La Moneda, prédio da sede do governo chileno. Além de lindo e com uma praça enorme a sua frente, é permitida a visita ao seu interior. O Centro Cultural La Moneda, no subsolo do edifício, mantém exposições fixas e temporárias.

bilhete metro santiago
Tarjeta BIP, o bilhete único de Santiago


2 Ande de metrô. A rede é extensa, cobre uma área vasta da cidade e os trens são silenciosos. O esquema é o mesmo de São Paulo: você compra o seu "bilhete único" e carrega nas bilheterias com um certo número de viagens. O ponto negativo fica a cargo do horário de funcionamento:  fecha as 22:30.

3 Um almoço no Mercado Central talvez seja uma das experiências mais autênticas que se pode ter em uma cidade e, aqui, não é diferente. Vá ao Donde Augusto comer peixe fresco e dar risada das bugigangas que ele expõe, ou escolha uma das barracas laterais se quiser uma opção mais econômica.

mercado central santiago
 Até o Marky Ramone já passou pelo Donde Augusto


4 Olhar a cidade de cima não é muito espetacular, de ambos os cerros, tanto Santa Lucia quanto o San Cristobal. Porém, o primeiro vale uma subida pelo seu legado arquitetônico romântico e, o segundo, para admirar a suntuosidade dos Andes e tomar um merecido Mote con Huesillos.

mapa santiago

Mapa cartunizado do centro de Santiago. Dá pra conseguir um na faixa no Centro de Informações Turísticas no Cerro Santa Lucía.

5 A Plaza de Armas é o marco zero da exploração pelo centro. Aquela foto clichê (que eu também tirei, claro!) da catedral ao lado do prédio comercial envidraçado é daqui. O Correio também merece sua atenção.


6 Bata pernas pelo centro inteiro. O Paseo Ahumada é a principal calçada para pedestres, mas não se limite a isso: primeiro, para perceber como a região, apesar de às vezes decadente, ainda cumpre uma função social de integrar trabalho, diversão, história e gente de todos os tipos; depois, para ir a um cafe con piernas em plena luz do dia (até de manhã se quiser!) e ver os tiozinhos procurando papo com as garçonetes de roupas justas, enquanto elas procuram boas gorjetas; e também para comprar roupa barata nas boas lojas de departamento Paris e a Fallabela.

7 Não sei se é impressão, mas parece que os chilenos resolveram deixar mesmo a fama das empanadas para os argentinos. Ainda assim, dá pra agradar a todo mundo: com os bem servidos pratos feitos de restaurantes mais simples como lomo a lo pobre (bife a cavalo com batatas fritas) ou  a centolla (uma parenta gigante do carangueijo) para uma noite mais sofisticada em algum restaurante da Avenida Isadora Goyenechea, em Las Condes.

bar liguria santiago
Trequinho catado no Liguria, um bar com personalidade

8 Mesmo que já tenha experimentado o tradicional pastel de choclo (achei um pouco doce...), peça um pastel de jaiba (será que da pra definir como um escondidinho de caranguejo?)  no Liguria, um bar com meia luz e clima de pub, mas uma decoração maluca que mais parece uma coleção de tudo. A noite vale pelo bar e pelo prato (inclusive pela estranha experiência de pedir um pastel de "raiva").

9 O Museu de Arte Pré-Colombina é essencial. No caso dos fãs de museus e das grandes civilizações então, é fácil passar um dia por ali. Grátis aos domingos.

10 Vá a um jogo do Colo-Colo e pelo amor de Deus me conte como é! Fui ao Monumental em um dia que não tinha jogo, mas ele não era aberto a visitas... fiquei na vontade. O estádio é curioso porque não é propriamente uma construção, mas um buraco cavado no chão.

11 A simpatia em forma de bairro se chama Bellavista. De dia bairro cool, de noite bairro boêmio. Come-se bem, bebe-se melhor ainda. Se tomar um pisco sour (não necessariamente um), as calles Pio Nono e Constituicion tornam-se ainda mais divertidas, até porque elas ficam longuíssimas.
O Patio Bellavista também vale uma pernada pelos seus restaurantes e lojinhas.

12 A Alameda (Avenida Libertador Bernardo O'Higgins), carinhosamente chamada por esse nome, vai ser sempre sua referência, pois corta a cidade inteira. A questão é que mais ao leste, quando ela já passou pela Providência e chega a Las Condes (aqui ela chama-se Avenida Apoquindo), a coisa começa a ficar interessante pra quem quer modernidade. A avenida fica larga, arborizada e convidativa. Enquanto o centro tenta manter guardada a europeização de Santiago, os arranha céus deste novo centro comercial ostentam todo o progresso e inevitável "americanização" pela qual a maioria das cidades consideradas em desenvolvimento estão passando.

13 Para um programa alternativo, vá ao Matucana 100, um centro cultural que hospeda eventos de música, arte, teatro e design. Aliás, se o negócio é pra ser realmente altenativo, é num dos muitos albergues daqui que você deve se hospedar, no Barrio Brasil.

14 13 dá azar, então vai mais uma. E vai ser de comida. Afinal, a moda agora é ser obeso e eu estou chegando lá. Tome (e se possível todos os dias!) sorvete de massa do Emporio La Rosa. O estabelecimento pequeno e estreitinho na esquina da Avenida Providencia com a Calle Merced pode causar desconfiança, mas vale a pena experimentar. Se tiver coragem, tente os sabores de gengibre, manjericão ou pimentão.

plaza de armas santiago chile
Detalhe da fachada do prédio do Correio


concha y toro santiago chile

Concha y Toro é quarteirão indicado pra quem se diverte tirando
fotografias selfmade fazendo cara de bobo



las condes santiago chile
Las Condes



plaza de armas santiago chile

Foto clichê, você ainda vai bater uma!


barrio paris londres santiago chile

Barrio Paris-Londres


Veja também:
- Reveillón no Chile

terça-feira, 27 de outubro de 2009

Tirando da mala a vontade de escrever um blog!


Viajar é pra quem gosta. Repetindo: pra quem gosta! Os tempos de "pra quem pode" já ficaram pra trás e,
felizmente, para quem planeja, prioriza e está realmente disposto, fazer pelo menos uma viagem por ano
é totalmente viável.
E temos que compartilhar nossas experiências praticando esse que é o maior prazer da vida!
Ok, o segundo...

Há algum tempo, por motivos não muito claros e depois de relutar um bocado, cedi à sugestão
da minha mãe, que insistia que eu deveria viajar. Foram uns 5 meses juntando uma grana forte
e uma desconfiança que batia a todo instante questionando-me se aquele esforço valeria para depois
torrar tudo em 10 dias.
Dito e feito: a velha sempre tem razão. Foi amor ao primeiro vôo (segundo, na verdade, mas o primeiro
tinha sido com 4 anos de idade) .
Como tudo pode ser tão igual e tão diferente longe de casa? Sensacional. Mas o destino dessa desvirginação
viajística e seus detalhes serão dissecados posteriormente!

Depois desses dias, estava convencido de que, não só tinha valido a pena, como também não tinha mais
como parar... a gente tem que ver,sentir,respirar e comer o mundo pra poder falar dele.

Notei também que a  mochila estava cheeeeeiia de trecos (não necessariamente souvenirs) que tinham sido catados há apenas alguns dias, mas eram deliciosamente nostálgicos!