A capital do Chile não está lá só pra ser atravessada do caminho entre o aeroporto e as estações de ski do Valle Nevado. Tampouco pode ser conhecida num city tour de duas horas e será muito mal aproveitada se servir apenas como base para um bate volta até Valparaíso e Viña del Mar.
Aqui vai um check list para se manter ocupado na surpreendente Santiago:
1 Admire-se com a imponência do Palacio de La Moneda, prédio da sede do governo chileno. Além de lindo e com uma praça enorme a sua frente, é permitida a visita ao seu interior. O Centro Cultural La Moneda, no subsolo do edifício, mantém exposições fixas e temporárias.
Tarjeta BIP, o bilhete único de Santiago
2 Ande de metrô. A rede é extensa, cobre uma área vasta da cidade e os trens são silenciosos. O esquema é o mesmo de São Paulo: você compra o seu "bilhete único" e carrega nas bilheterias com um certo número de viagens. O ponto negativo fica a cargo do horário de funcionamento: fecha as 22:30.
3 Um almoço no Mercado Central talvez seja uma das experiências mais autênticas que se pode ter em uma cidade e, aqui, não é diferente. Vá ao Donde Augusto comer peixe fresco e dar risada das bugigangas que ele expõe, ou escolha uma das barracas laterais se quiser uma opção mais econômica.
Até o Marky Ramone já passou pelo Donde Augusto
4 Olhar a cidade de cima não é muito espetacular, de ambos os cerros, tanto Santa Lucia quanto o San Cristobal. Porém, o primeiro vale uma subida pelo seu legado arquitetônico romântico e, o segundo, para admirar a suntuosidade dos Andes e tomar um merecido Mote con Huesillos.
Mapa cartunizado do centro de Santiago. Dá pra conseguir um na faixa no Centro de Informações Turísticas no Cerro Santa Lucía.
5 A Plaza de Armas é o marco zero da exploração pelo centro. Aquela foto clichê (que eu também tirei, claro!) da catedral ao lado do prédio comercial envidraçado é daqui. O Correio também merece sua atenção.
6 Bata pernas pelo centro inteiro. O Paseo Ahumada é a principal calçada para pedestres, mas não se limite a isso: primeiro, para perceber como a região, apesar de às vezes decadente, ainda cumpre uma função social de integrar trabalho, diversão, história e gente de todos os tipos; depois, para ir a um cafe con piernas em plena luz do dia (até de manhã se quiser!) e ver os tiozinhos procurando papo com as garçonetes de roupas justas, enquanto elas procuram boas gorjetas; e também para comprar roupa barata nas boas lojas de departamento Paris e a Fallabela.
7 Não sei se é impressão, mas parece que os chilenos resolveram deixar mesmo a fama das empanadas para os argentinos. Ainda assim, dá pra agradar a todo mundo: com os bem servidos pratos feitos de restaurantes mais simples como lomo a lo pobre (bife a cavalo com batatas fritas) ou a centolla (uma parenta gigante do carangueijo) para uma noite mais sofisticada em algum restaurante da Avenida Isadora Goyenechea, em Las Condes.
Trequinho catado no Liguria, um bar com personalidade
8 Mesmo que já tenha experimentado o tradicional pastel de choclo (achei um pouco doce...), peça um pastel de jaiba (será que da pra definir como um escondidinho de caranguejo?) no Liguria, um bar com meia luz e clima de pub, mas uma decoração maluca que mais parece uma coleção de tudo. A noite vale pelo bar e pelo prato (inclusive pela estranha experiência de pedir um pastel de "raiva").
9 O Museu de Arte Pré-Colombina é
essencial. No caso dos fãs de museus e das grandes civilizações então, é fácil passar um dia por ali. Grátis aos domingos.
10 Vá a um jogo do Colo-Colo e pelo amor de Deus me conte como é! Fui ao Monumental em um dia que não tinha jogo, mas ele não era aberto a visitas... fiquei na vontade. O estádio é curioso porque não é propriamente uma construção, mas um buraco cavado no chão.
11 A simpatia em forma de bairro se chama Bellavista. De dia bairro cool, de noite bairro boêmio. Come-se bem, bebe-se melhor ainda. Se tomar um pisco sour (não necessariamente um), as calles Pio Nono e Constituicion tornam-se ainda mais divertidas, até porque elas ficam longuíssimas.
O Patio Bellavista também vale uma pernada pelos seus restaurantes e lojinhas.
12 A Alameda (Avenida Libertador Bernardo O'Higgins), carinhosamente chamada por esse nome, vai ser sempre sua referência, pois corta a cidade inteira. A questão é que mais ao leste, quando ela já passou pela Providência e chega a Las Condes (aqui ela chama-se Avenida Apoquindo), a coisa começa a ficar interessante pra quem quer modernidade. A avenida fica larga, arborizada e convidativa. Enquanto o centro tenta manter guardada a europeização de Santiago, os arranha céus deste novo centro comercial ostentam todo o progresso e inevitável "americanização" pela qual a maioria das cidades consideradas em desenvolvimento estão passando.
13 Para um programa alternativo, vá ao Matucana 100, um centro cultural que hospeda eventos de música, arte, teatro e design. Aliás, se o negócio é pra ser realmente altenativo, é num dos muitos albergues daqui que você deve se hospedar, no Barrio Brasil.
14 13 dá azar, então vai mais uma. E vai ser de comida. Afinal, a moda agora é ser obeso e eu estou chegando lá. Tome (e se possível todos os dias!) sorvete de massa do Emporio La Rosa. O estabelecimento pequeno e estreitinho na esquina da Avenida Providencia com a Calle Merced pode causar desconfiança, mas vale a pena experimentar. Se tiver coragem, tente os sabores de gengibre, manjericão ou pimentão.
Detalhe da fachada do prédio do Correio
Concha y Toro é quarteirão indicado pra quem se diverte tirando
fotografias selfmade fazendo cara de bobo
Las Condes
Foto clichê, você ainda vai bater uma!
Barrio Paris-Londres