sábado, 14 de agosto de 2010

Os caminhos de Lisboa

 Terreiro do Paço / Praça do Comércio

Lisboa é um lugar especial. Há alguma coisa em sua aura que a torna tão receptiva, que uma das melhores coisas que se faz por lá é ficar perdido. Se antes era o porto de onde saíam as naus dos navegadores, agora a vocação é para anfitriã. Em Lisboa, uma coisa leva a outra - não existe metade do caminho. Sempre há alguma perspectiva de "e se eu continuar por ali?". São subidas e descidas que, por mais íngremes que sejam, tornam-se incansáveis e uma caminhada de 5 minutos até a doceria pra tomar um café tende a um roteiro de algumas horas.


Alfama - nao acertei o foco em foto nenhuma!

Pela Avenida da Liberdade, a menos portuguesa das vias lisboetas, percorre-se um quilômetro de sofisticação e arte, numa avenida larga, arborizada, viva e com grande concentração de hotéis. Dois marcos bem mais imponentes e característicos estão em suas extremidades: A Praça dos Restauradores em uma ponta e a Praça Marquês de Pombal em outra. Digo que é a menos portuguesa das referências da cidade somente porque é um dos poucos lugares onde é fácil se localizar. Dos Restauradores pra baixo, a coisa fica mais divertida. Primeiro, porque as principais praças de Lisboa, como é a dos Restauradores, são gigantes e reservadas a pedestres, o que as tornam espaços comtemplativos e de convivência, ou seja, espaços públicos. É ali que a população e os visitantes tem tempo pra interagir e admirar a cidade. Depois, porque o tamanho exagerado das praças é compensado pelas ruelinhas tão estreitas, que o sol mal consegue entrar.

Rua do Carmo, uma da principais do Chiado

A Alfama ou o Chiado que o digam: A primeira é simplesmente imapeável. Os predinhos que sobreviveram ao terremoto de cerca de 250 anos atrás estão tão juntos, que passar entre eles chega a ser vertiginoso. Entre uma ou outra casa de show de fado, essencialmente turísticas, achei mais interessante as velhinhas de preto, conversando cada uma em sua sacada e aos berros, em um idioma que parece tudo, menos português. As ruas ladrilhadas, as janelas cheias de roupa pendurada... o mais agradável dos cortiços. E lá pra cima ainda há a recompensa da vista que se tem das ruínas do Castelo de São Jorge.

 Mais Chiado

Já o Chiado é o lugar perfeito para se passar o fim de tarde. Tão calmo em algumas partes, que dá pra se
imaginar em uma aldeia ou cidade do interior - não sei como os lisboetas não sentem vontade de entrar em cada uma das portinhas das pastelarias. Travesseiros, pastéis de nata, ovos moles... aprecie sem moderação.

Pavilhão Chinês, bar esquisitão cheio de coleções, no Bairro Alto

A Rua Garrett é a referência porque, quando a noite já tiver caído, é ela que leva do Chiado ao Bairro Alto e, bom, o Bairro Alto... eu queria morar lá. Por pelo menos um mês. A vida noturna da cidade se estabeleceu no lugar mais interessante possível - o casario barroco, ora conservadíssimo, ora decadente; as ruas fechadas só para pedestres, que só começam a ganhar vida depois da meia noite; os restaurantes de apenas três andares com vista panorâmica, de tão acidentado o relevo de Lisboa; e tudo isso passando em meio as opções mais variadas, tanto no gosto, quanto no nome. Do Barrigas ao Faz Frio, passando pelo Vá e Volte e o Bizarro. É fácil se unir a bagunça subindo pela Rua Diário de Notícias, sem medo de virar aqui ou ali, já que são bem uns 15 quarteirões onde tudo pode acontecer.

Baixa, vista do elevador de Santa Justa

Da cidade velha, o canto mais difícil de se perder é a Baixa. Diferentemente dos outros cantos de Lisboa, este aqui foi minuciosamente planejado e os quarteirões são todos certinhos. Espremida entre o
Chiado de um lado e a Alfama de outro, a baixa tem as ruas mais imponentes da capital, com destaque para a Augusta, que vai do Rossio - destrinchado neste outro post aqui - até a Praça do Comércio, também chamado Terreiro do Paço.

 Elevador de Santa Justa, visto da Baixa

Mercearia Garrafeira Nacional, na Baixa lisboeta

Naturalmente, é onde tudo é mais caro - do almoço ao artesanato de rua. Apesar das tentações, as paralelas como a Áurea e a Rua dos Sapateiros são tão deliciosas quanto, mas muito mais baratas. Na Rua de Santa Justa, está o elevador de mesmo nome: belíssimo e é acessado pagando-se tarifa de transporte público. Vistas lindas são uma especialidade de Lisboa. E na esquina da própria Rua de Santa Justa com a Rua dos Douradores, qualquer lembrança alcólica pode ser encontrada na Mercearia Garrafeira Nacional. Sugiro uma Amarguinha, um licor de amêndoa amarga difícil de encontrar.

Lisboa é uma das cidades mais em conta da Europa e dá pra passar 6 ou 7 dias sem tédio nenhum. Há muito pra ser visto. A proximidade é com o Brasil é muito perceptível. Não há grandes barreiras linguísticas e os portugueses consumem cultura brasileira aos montes - da música ao cinema - apesar de, no Brasil, nós mal conseguirmos lembrar de algum lusitano ilustre, fora Camões. Às vezes percebo isso como uma relação de pai pra filho: os pais têm muito mais interesse em saber o que os filhos fazem e, o filhos, mesmo convictos de que não precisa mais dos pais, sempre são muito bem tratados quando fazem uma visitinha.


Veja também:
- O Rossio, em Lisboa
- Hora da janta em Portugal
- Porto, em Portugal, é chance de ir à Europa gastando pouco
- O Porto está cada vez melhor
- Estádio da Luz, Lisboa
- Vôos baratos para Lisboa

2 comentários:

  1. oi, parabens pelo blog, adorei. sou da argentina e estou procurando ha tempo,
    Pacotes de viagens com hoteis que sejao lindos , nas praias do Brasil.
    agradeco sua ajuda, e espero poder conhecer pronto o belo brasil.

    ResponderExcluir
  2. Adoro Lisboa, realmente tem um ar diferente, e me sinto "em casa". Muito boas as suas dicas.
    Para mais dicas de Lisboa: http://guiaportugal.blogspot.com/

    ResponderExcluir