Artistas de rua fazem performances ao longo do Terrase Dufferin, o "calçadão" de Québec
Inspiradora, romântica, envolta por muralhas e recheada de predinhos a la França. Mesmo assim, aprendi que dizer a alguém de lá que eles são muito franceses é quase uma ofensa. Os québecois - quebecoá - fazem questão de cultivar sua própria identidade, a ponto da parcela da população que é a favor da independência da província ser quase maioria. População que era difícil de encontrar, aliás. A grande maioria era turista. Québec City é bem cidade de temporada, inclusive para canadenses. Não dá pra ficar tentando se livrar das armadilhas, tem que desencanar - sabe Campos do Jordão?
Château Frontenac
Price Tower
A cidade é pequena, mas como é pra ser curtida a pé e devagarzinho, uns 2 ou 3 dias completos são facilmente preenchidos. Nada de carro ou bate-volta de
Montréal, que fica a 240km. A forma mais divertida, vindo de lá, é pegar um trem na Estação Central e chegar na Gare du Palais, em Québec - não sei qual é a mais bonita.
Entrada da cidade velha pelo Porte Saint Jean
Rue St. Jean
Hospedar-se na parte velha, dentro das muralhas significa estar perto de todas as atrações e marcos, da concentração das pessoas, das feirinhas, dos bares e restaurantes. A maioria dos hotéis e pousadas fazem questão de preservar o clima de chateau em suas decorações. Qualquer volta a pé por ali é encantadora, especialmente à noite.
Quartier Petit Champlain
O grande marco, o Châteu Frontenac, é um castelo que já foi construído pra ser hotel. Tem uma ótima visita guiada, pra mortais sentirem um pouco do que pode ser a experiência. Outro destaque arquitetônico é o Price Tower, primeiro arranha-céu da cidade: 15 andares! Claro que o prédio art deco foi ultrapassado em altura por vários outros da cidade fora das muralhas, mas nunca em beleza. Gastei bastante tempo na Rue St Jean, uma rua pra se fazer via sacra de bares - de bistrôs a pubs irlandeses - e ficar olhando as pessoas seduzidas pelas vitrines mega produzidas das lojinhas. Depois, a Rua Sainte Anne, mais com cara de praça, e a Rue do Tresor, espremida e bagunçada como o recanto de um artista tem que ser, me ganharam de vez. Os caricaturistas, pintores e artesões que ficam trabalhando ali até de noite, com iluminação fraca e improvisada, não precisam de um pingo de carisma pra vender sua arte.


As fachadas falsas de Québec são outra característica criativa. A ilusão que as pinturas causam são tão fortes, que acho que a gente só percebe por causa do humor e do surrealismo de algumas delas. A maioria está na cidade baixa, que pode ser acessada por um funicular ou por caminhada - boa caminhada aliás, porque o desnível é grande. Ali embaixo, ao redor do Quartier Petit Champlain e da Place Royale, fervilham as lojinhas e docerias com mesas na calçada. De tanta subida e descida, comi onde pude e sem peso na consciência. Depois disso, uma tarde no Musée de la Civilisation é recomendada.
No porto, assisti aos dois dos espetáculos mais indescritíveis da minha vida: o Cirque du Soleil - pelo menos uma vez na vida, é tão obrigatório quanto um jogo no Maracanã -, que estava apresentando o OVO, espetáculo conceituado, em grande parte, no Brasil. A trilha sonora tinha algumas levadas que lembravam forró e eram cantandas em português, aí dava vontade de cutucar a mulher do lado e falar: - Legal né? Isso aí é de lá de onde eu venho.
O outro, chamado
The Image Mill, é absolutamente único. Existe uma fábrica no porto, que durante o dia parece uma cicatriz na paisagem. Gigantesca, feia, cinzenta... horrível. Acontece que um diretor de arte maluco bolou um show noturno, capaz de unir projeção de imagens aproveitando a forma dessa fábrica com sons e luzes que reverberam por todo o porto, quase te fazendo entrar no espetáculo. Numa boa, não vou conseguir explicar, dê uma olhadinha
neste vídeo aqui. Quem estiver no Québec do dia 22 de junho até 31 de julho, vai poder ver. E é de graça.
No próximo post: Fora das Muralhas
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