domingo, 25 de setembro de 2011

Londres é o mundo, agora faz sentido



Foi a primeira vez que pisei em uma das metrópoles do trio de ferro (Nova York, Paris, Londres). Sem nunca ter estado em nenhuma das três cidades mais cobiçadas do mundo, Londres sempre foi a que mais me atraiu. Por algumas razões, muitas delas questionáveis, eu sentia que era daqueles lugares onde se podia estar por umas 10 vezes, sem enjoar.


Eu duvidada, por exemplo, que uma cidade desse tamanho tivesse dificuldade em fazer boa comida. Mas é verdade - nem os mais de 10 milhões de habitantes (e uma metadinha deles deve ser de estrangeiros) conseguiram fazer dela uma cidadassa, ao menos deste ponto de vista. A ambição está lançada a quem queira tornar Londres um polo gastronômico.

Parlamento inglês ao anoitecer


Mind the gap, ou cuidado com o vão, é a lei do metrô de Londres, o tube

O que não significa também, que não há coisa boa, apenas que tem que ser bem procurada. Foi no Preto Churrascaria (72 Wilton Road, próximo do metrô Victoria), um restaurante que serve adivinha que tipo de comida, que encontrei uma delas. Lá, minha maior expectativa sobre essa viagem fez sentido: Londres é o mundo. Ao meu redor, gente almoçando de terno e gravata e garotas quase sem roupa com uma bolsinha minúscula na mesma mesa. Não importava o que eles eram, não tinha essa de garçom ou cliente - todo mundo ali tinha só um rótulo: brasileiro.

Artistas de rua na Westminster Bridge


Trafalgar Square

Sem contar que não comia Picanha (com maiúscula, mesmo!) com farofa havia uns 10 meses e o rodízio acompanhado de guaraná me pôs no céu. Parece que 10 meses não é muito mas, nesse tempo, o ano já trocou, um bebê fabricado lá atrás já nasceu e até o Adriano quase voltou a jogar.



E tocando no assunto futebol, quem sabe não presenciei o surgimento de um ídolo? Brasil e Gana, 1x0, gol de  Leandro Damião - que agora está na moda mas, antes de jogo, só era conhecido por quem acompanha futebol. No estádio do Fulham que, apesar de bem estruturado teve a pior organização de um jogo de futebol que eu já vi. Brasileiros e ganeses lotaram 25 mil lugares quase meio a meio pra mostrar a força da diversidade da capital inglesa. E sem separação de torcida nos principais setores - eu tive um ganês de cada lado e estávamos tirando sarro um do outro.

Abadia de Westminster

O outono, estação mais gostosa pra viajar, se apresenta nos jardins da Abadia

Cápsula da gigantesca London Eye

Completamente infinita, Londres pode ser meio assustadora a primeira vista mas, pra quem nasceu e cresceu no meio de um lugar tão grande e movimentado quanto, esse é o fator chave que te dá a sensação eu moraria aqui . Trânsito, gente indo e vindo, metrô cheio, bairros com personalidade própria que são mini-cidades e um orçamento que estoura fácil são atributos que não são qualidades, necessariamente. Vai ver é aí que está o charme de um lugar que não se conquista fácil, mas que alimenta seus sonhos: os gregos, italianos, indianos e latinos que o digam, estão por toda parte em busca de uma vida melhor e revelando que Londres puramente já não existe mais - a identidade pós-imigratória já está formada e experimentar uma pasta já é experiência tão típica quanto um fish and chips. Vendo tanta internacionalidade, ficou mais fácil de entender também como alguém que vêm da China, por exemplo, pode sofrer tanto porque o Arsenal não conquista nada faz tempo.





Londres é a capital de um país que não emite passaportes (para ingleses, escoceses, galeses e norte-irlandeses, quem emite é o Reino Unido), mas tem o orgulho do tamanho de um continente, já que frequentemente se considera fora da Europa. Movimentos políticos e culturais expressivos, como o Punk, surgiram ali. Foi a primeira cidadona dessas formadas pelo capitalismo e viu a primeira linha de metrô também. Londres viu um estuprador real, que mutilava suas vítimas, tornar-se símbolo de cool e o melhor detetive do mundo, embora nunca tenha existido, ainda recebe cartas. É triste sair de um lugar com tanta história, esteja ela acontecendo de fato ou apenas na imaginação. De fato, acho que as 10 visitas podem não ser suficientes.

Veja também:
- Londres real: a troca da guarda
- Fotografe o Big Ben
- Bate volta de Londres: Stratford upon Avon, visitando Shakespeare

5 comentários:

  1. Londres é uma das minhas capitais preferidas no mundo. Sempre muito que se ver. Já fui muitas vezes e sempre me surpreendo com algo novo. Adoooooooro!!!!
    Claudia

    ResponderExcluir
  2. Parabéns, segui a dica da minha amiga e não me arrependi.Sua mãe tem todo o motivo de ser "coruja". Seus relatos me deram uma vontade imensa de (re)conhecer a Londres de agora, e me recordaram a visita da mesma Stratford que conheci anos atrás!
    Obrigada pela viagem!
    Cecília

    ResponderExcluir
  3. Claudia você é sem dúvida NENHUMA uma das minhas maiores referências sobre Londres! Valeu por passar aqui!!!

    ResponderExcluir
  4. Nem me diga Cecília! Sou filho e irmão coruja também rsrs
    Que delícia saber que consegui te despertar essa vontade, ainda mais porque vc já esteve lá!
    Um beijo!!!

    ResponderExcluir
  5. As imagens são lindas...hum que delícia!!!

    ResponderExcluir