sábado, 17 de dezembro de 2011

De São Petersburgo a Tsarkoye Selo, uma epopéia russa


Mochilopédia rápida: Pedros e Catarinas eram abundantes na história da Rússia. Geralmente, eles se casavam, se dando bem ou não. Ao contrário dos Pedros, a Catarina que ficou mais famosa foi a segunda - não foi a pioneira, mas foi a mais megalomaníaca. Ficou com ciúme que desde a geração anterior os pedros já tinham seu palácio (Peterhof) e mandou fazer um maior, o Tsarkoye Selo.




Chegar ao palácio é tão difícil, mas tão difícil, que eu nem vou me prender a nomes. Seria melhor se eu escrevesse um tutorial sobre como não chegar. A epopéia foi mais ou menos assim: pesquisei como ir de ônibus e trem - um plano B, na Rússia, é vital. Acordei às 9:00, direto pra estação de trem. Tentei conversar com um guichê, tentei conversar com dois. Nada. Tentei uma terceira, que me apontou a máquina de auto-atendimento... que não tinha opção alguma de segundo idioma, fora russo. Depois de ir e voltar por algumas plataformas e fazer papel de bobo por quase uma hora, alguns funcionários já apontavam e riam. Foi o sinal pra acionar o plano B.


Capítulo 2, estação de ônibus. Bom, o terminal de ônibus não era bem uma estação. Era uma praça, dessas soviéticas, enormes, com um Leninzão no meio e uns 30 pontos em volta. Tentei estabelecer comunicação em todos os níveis: falando, gesticulando, escrevendo e me desesperando. Mas não foi negociável. Nem o arsenal do TripAdvisor que eu trazia comigo foi suficiente.


A essa hora já não sabia como ia voltar mas, depois de 3 horas tentando, tinha que ao menos chegar. É aí que foi tomada a decisão mais importante do dia: táxi. Por incrível que pareça, mesmo sabendo que estava lidando com um turista, o taxista não extorquiu tanto quanto poderia: 1000 rublos (+ ou - R$ 50,00) o caminho de ida. Meu analfabetismo russo não superou a pão durisse brasileira. De ego cheio, finalmente estava a caminho do palácio.



A verdade é que, uma vez lá, qualquer mico ou esforço é recompensado. Os palácios reais russos são todos de quebrar o queixo e, o Tsarkoye Selo, em especial, é gigantesco. Muito do que está lá não é mais original, já que bombardeios durante a Segunda Guerra o destruíram em quase 100%. O trabalho de restauração foi tão minucioso que, se não fossem as fotos exibidas no interior do palácio, nem dava par desconfiar. Os tons pastéis, misturados às cores das folhas laranjas, fazem os 0 graus parecerem amenos.



O interior foi decorado com obras e mobília originais, que foram depositadas no Hermitage enquanto a área estava sob ataque. E os jardins... o que seria dos palácios sem seus jardins? Labirintos, lagos e pontes totalmente ermos, não fosse pelos casais tirando fotos para books de casamento.

E pra fazer o caminho de volta... é, pra voltar é uma outra história.

Veja também:
- Hermitage, em São Petersburgo, só perde pro Louvre
- São Petersburgo, Rússia: sobre czares e bolcheviques
- 10 motivos pra passar um dia inteiro na Praça Vermelha, Moscou


10 comentários:

  1. Eu não queria nem ler esse post para não ficar muito arrependida, mas sua confirmação de que não é mesmo simples chegar a Tsarkoye Selo ameniza meu pesar. ;)

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  2. Ao menos alguem que confirme que andar pela rússia sem saber russo é um filme de tragédia grega misturada com comédia

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  3. "Alguns funcionários já apontavam e riam". Muito bom! Imagino como foi e já passei por algo parecido. A arte de se comunicar por mímica é das mais úteis, verdade, mas nem por isso é simples. Ainda não dominei a técnica completamente!

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  4. Tiago, apesar de quase não comentar, estou sempre lendo seu blog e a Rússia era para mim um desses locais onde só era possível ir numa dessas excursões para brasileiros. Mas você está mostrando que, com uma boa dose de esforço, perseverança e bom humor, um viajante independente pode explorar esse país tão diferente do nosso e que sempre despertou minha curiosidade (especialmente Moscou e São Petersburgo), embora com alguns perrengues!
    Mês passado, estive em Londres estudando inglês e havia um russo de 16 anos na minha sala. Espero que essa nova geração russa ajude a amenizar a dificuldade de comunicação que os turistas enfrentam na Rússia.
    Obrigada por compartilhar essa magnífica experiência (e tantas outras) conosco!

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  5. hahaha Camila chegar nesse lugar é mais difícil que nadar em lago congelado!

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  6. Luffi, é por aí mesmo! Pior de tudo que, mesmo depois disso, voltei sem saber falar nem meia dúzia de palavras!

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  7. Rafael, na Rússia mímica é mais útil que qualquer idioma! pode até tentar falar as coisas em português mesmo que de ve ser mais fácil eles entenderem rs

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  8. Rita, essa é uma excelente estratégia! Na hora do pânico, tente sempre falar com os mais novos! Obrigadasso pelos elogios e por acompanhar o blog, mesmo que silenciosamente rs
    Sinta-se a vontade pra comentar sempre!!

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  9. Estava lendo o post sobre as 10 viagens por menos de 1000 reais por pessoa. Perfeito. Vou para Balneário Camboriú, por uma semama, por R$840,00 (aereo e hotel).

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  10. Silmara, aquele post está mais que desatualizado! De quaqluer forma, que bom que, ainda assim, você conseguiu cacifar coias boa a preço bom!!

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