sábado, 24 de dezembro de 2011

Feliz Natal, já com saudade

Cansei de escutar que saudade é uma palavra que só existe em português. É uma certa pretensão desse nosso idioma, achar que pode expressar a falta de alguém melhor que os outros, como se a falta de alguém fosse expressável.

Mas aí eu penso: "sinto sua falta", como se diz por aí, em não-português. É uma tamanha pretensão dessas outras línguas, querer tornar a saudade assim, tão simples.

Perto de um sentimento tão universal, todos os idiomas juntos são pequenos. O máximo que a linguística explica é que, entre sinto saudade e sinto sua falta, um deles sôa melhor. É menos possessivo, mais positivo, sequer precisa de um sujeito - "que saudade!" já diz tudo.

Não quer dizer que não dôa, às vezes. Não quer dizer que seja sempre boa. Não dá pra saber do que é feita a saudade, na verdade. Mas sabendo um pouco do cabe nela, o estranho, mesmo, seria se eu não a sentisse.

Feliz Natal!

Por dias fantásticos passados no meu canto preferido do mundo: em casa.

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