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| Hermitage |
Tudo se encaixa. São Petersburgo é uma aventura, ainda que urbana. A insegurança por não poder falar ou sequer tentar ler o idioma são angustiantes e, em alguns momentos, mesmo estando numa cidade segura e estruturada, me senti menos a vontade que quando me enfiei no meio do mato na África. Mas encaixa, faz parte - afinal, é o país mais deslocado do mundo. Muita gente não consegue enxergá-lo na Europa, menos gente ainda na Ásia.
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| Interior do palácio é cuidadosamente preservado e restaurado |
Um continente chamado Rússia. E São Petersbugo é, geograficamente, a menor das aberrações, já que é a cidade mais perto da Europa Ocidental que, por sua vez, foi a fonte de inspiração do Pedrão. E ele deve ter olhado algo muito bonito mesmo pra mandar construir o Palácio de Inverno para a sede do novo governo.
O palácio virou o Hermitage, museu com coleções tão extensas que perde apenas para o Louvre. De tão majestoso, é um desafio pra sua curadoria - alguns cômodos são tão rebuscados que ofuscam as obras exibidas e, outros, de tão suntuosos, são exibições em si. Mapeie sua visita, tenha prioridades e vá direto aos assuntos que te interessam mais porque esse negócio de que um dia inteiro não é suficiente não é mentira. Fiz um expediente em tempo integral e, honestamente, dava pra voltar pelo menos uma vez.
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| Ala do Hermitage dedicada a Gauguin |
E a verdade é que, apesar dos dois primeiros andares serem os que ainda estão caracterizados com cômodos de palácio, foi no último piso, nas salinhas simples e quase sem acabento que gastei a maior parte do tempo com as as coleções dos meus preferidos: Picasso, Kandinsky, Matisse, Cezanne, Monet, Van Gogh e outros vanguardistas estão lá em peso. Fora isso, só deu tempo pra passar na área de arte italiana (onde está a Madona Litta, um dos primeiros trabalhos de Da Vinci) e espanhola.
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| Piso panorâmico da Catedral de São Isaac |
Sequer cheguei às coleções bizantinas, egípcias, gregas e das outras civilizações antigas. Na dúvida, siga as sugestões que estão no mapa que te entregam na entrada. São boas e te levam direto ao ponto, sem que você tenha que ficar na angústia de querer ver tudo. Caso contrário, no meio do dia você acaba entediado e com pane cerebral por tentar absorver tanta informação diferente.
Ainda na entrada, há a opção de comprar uma licença pra fotografar por cerca de 400 rublos (+ ou - R$ 20,00). Comprei e me arrependi - dentro do museu, passei pro dezenas de fiscais e nenhum solicitou. Deve ser algum velho hábito soviético caindo no esquecimento.
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| Vistas do mirador da Catedral de São Isaac, que tem piso panorâmico 360 graus |
Geralmente, pra conseguir desenhar um rascunho do mapa da cidade na minha cabeça, o primeiro lugar que vou é o ponto panorâmico. Em São Petersburgo, logo que você sai do Hermitage e olha pra direita, a Catedral de São Isaac é o lugar pra isso, mas com duas diferenças: uma - mesmo ao chegar ao piso panorâmico da Catedral de São Isaac, a cidade, de tão imponente, não diminui lá embaixo; duas - é dali que você se pergunta como um destino daqueles pode ser estar ainda tão escondido. O som de fundo toca Tchayokovsky - um dos mais ilustres habitantes de São Petersburgo - e, mesmo passando muito frio, quero ver conseguir sair dali.
Continua no próximo post
Veja também:
- São Petersburgo, Rússia: sobre czares e bolcheviques
- 10 motivos para passar um dia inteiro na Praça Vermelha, em Moscou







Nossa! Que perfeição, simplesmente maravilhoso*
ResponderExcluirObrigado, Van!! Que bom saber que está curtindo!
ResponderExcluirTenho certeza q São Petersburgo é linda, mas acho que uma viagem para a cidade valeria de qq maneira só pelo Hermitage! Tenho q conhecer esse lugar de qq jeito!
ResponderExcluirVale mesmo Guta! Olha só o quão eprto você consegue chegar do quadro do kandinsky por exemplo... pra quem gosta de arte, é de chorar!!
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