domingo, 4 de dezembro de 2011

Hermitage, em São Petersburgo, só perde pro Louvre

Hermitage

Tudo se encaixa. São Petersburgo é uma aventura, ainda que urbana. A insegurança por não poder falar ou sequer tentar ler o idioma são angustiantes e, em alguns momentos, mesmo estando numa cidade segura e estruturada, me senti menos a vontade que quando me enfiei no meio do mato na África. Mas encaixa, faz parte - afinal, é o país mais deslocado do mundo. Muita gente não consegue enxergá-lo na Europa, menos gente ainda na Ásia.

Interior do palácio é cuidadosamente preservado e restaurado

Um continente chamado Rússia. E São Petersbugo é, geograficamente, a menor das aberrações, já que é a cidade mais perto da Europa Ocidental que, por sua vez, foi a fonte de inspiração do Pedrão. E ele deve ter olhado algo muito bonito mesmo pra mandar construir o Palácio de Inverno para a sede do novo governo.



O palácio virou o Hermitage, museu com coleções tão extensas que perde apenas para o Louvre. De tão majestoso, é um desafio pra sua curadoria - alguns cômodos são tão rebuscados que ofuscam as obras exibidas e, outros, de tão suntuosos, são exibições em si. Mapeie sua visita, tenha prioridades e vá direto aos assuntos que te interessam mais porque esse negócio de que um dia inteiro não é suficiente não é mentira. Fiz um expediente em tempo integral e, honestamente, dava pra voltar pelo menos uma vez.



Ala do Hermitage dedicada a Gauguin

E a verdade é que, apesar dos dois primeiros andares serem os que ainda estão caracterizados com cômodos de palácio, foi no último piso, nas salinhas simples e quase sem acabento que gastei a maior parte do tempo com as as coleções dos meus preferidos: Picasso, Kandinsky, Matisse, Cezanne, Monet, Van Gogh e outros vanguardistas estão lá em peso. Fora isso, só deu tempo pra passar na área de arte italiana (onde está a Madona Litta, um dos primeiros trabalhos de Da Vinci) e espanhola.

Piso panorâmico da Catedral de São Isaac


Sequer cheguei às coleções bizantinas, egípcias, gregas e das outras civilizações antigas. Na dúvida, siga as sugestões que estão no mapa que te entregam na entrada. São boas e te levam direto ao ponto, sem que você tenha que ficar na angústia de querer ver tudo. Caso contrário, no meio do dia você acaba entediado e com pane cerebral por tentar absorver tanta informação diferente.

Ainda na entrada, há a opção de comprar uma licença pra fotografar por cerca de 400 rublos (+ ou - R$ 20,00). Comprei e me arrependi - dentro do museu, passei pro dezenas de fiscais e nenhum solicitou. Deve ser algum velho hábito soviético caindo no esquecimento.

Vistas do mirador da Catedral de São Isaac, que tem piso panorâmico 360 graus

Geralmente, pra conseguir desenhar um rascunho do mapa da cidade na minha cabeça, o primeiro lugar que vou é o ponto panorâmico. Em São Petersburgo, logo que você sai do Hermitage e olha pra direita, a Catedral de São Isaac é o lugar pra isso, mas com duas diferenças: uma - mesmo ao chegar ao piso panorâmico da Catedral de São Isaac, a cidade, de tão imponente, não diminui lá embaixo; duas - é dali que você se pergunta como um destino daqueles pode ser estar ainda tão escondido. O som de fundo toca Tchayokovsky - um dos mais ilustres habitantes de São Petersburgo - e, mesmo passando muito frio, quero ver conseguir sair dali.

Continua no próximo post

Veja também:
- São Petersburgo, Rússia: sobre czares e bolcheviques
- 10 motivos para passar um dia inteiro na Praça Vermelha, em Moscou

4 comentários:

  1. Nossa! Que perfeição, simplesmente maravilhoso*

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  2. Obrigado, Van!! Que bom saber que está curtindo!

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  3. Tenho certeza q São Petersburgo é linda, mas acho que uma viagem para a cidade valeria de qq maneira só pelo Hermitage! Tenho q conhecer esse lugar de qq jeito!

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  4. Vale mesmo Guta! Olha só o quão eprto você consegue chegar do quadro do kandinsky por exemplo... pra quem gosta de arte, é de chorar!!

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