sábado, 30 de abril de 2011

Praça Vermelha, em Moscou: 10 motivos pra dedicar um dia em tempo integral

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Porque o corpo de Lênin, o idealizador e realizador da revolução mais controversa da história, está em em exposição no túmulo gigante que foi contruído só para ele. Tido como o cara gente fina do comunismo, o Lênin empalhado teve a companhia do corpo de Stálin por algum tempo, até que descobriram as atrocidades do ditador e removeram seu corpo.

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Catedral de São Basílio
Pra ver uma catedral que não amedronta, não tem gárgulas, não tem nada de clássica e, além de tudo, parece que tem sorvete no topo das torres. Totalmente na contramão das igrejas, a "feliz" Catedral de São Basílio foi constrúida pra ser o centro geométrico de Moscou no século 16.

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Pra perceber que o socialismo nada mais era do que um capitalismo sem concorrência. Tanto que a única
coisa que sobrou do período foi a "marca comunista" - símbolos ainda estão vastamente presentes nos prédios do governo, no militarismo, nos transportes públicos e no idealismo do orgulho ultranacionalista, que sequer se permite criar sinalizações em inglês, mesmo nas partes mais turísticas da cidade. Obs: tem um Mc'Donalds na frente do Kremlin.

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Porque pra qualquer lado que se olha, a inspiradora arquitetura czarista está presente em prédios de mais de 100, 200 ou 500 anos. Os tons pastéis de azul e rosa do centro da cidade, aqui são substituídos por cores imponentes e vivas. Aos fins de semana, o tráfego de veículos é proibido e o ambiente fica ainda mais envolvente.

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Porque o Kremlin é, provavelmente, a sede de governo mais mítica do mundo. De catedrais com túmulos de
czares a um imenso bloco de concreto construído a mando de Stalin, o complexo é cheio de segredos. Muitas das áreas são completamente inacessíveis e há suspeitas de passagens secretas e túneis construídos durante a Guerra Fria.

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Catedrais, armamentos e palácios da sede do governo russo, o Kremlin
Pra ter certeza que está escrito RYM no placa do shopping, mas ter que pronunciar GUM, porque o alfabeto cirílico não tem nada a ver com o romano. A antiga loja de departamentos de mais de 200 metros de extensão e que costumava ter filas tão longas quanto, agora é um shopping de luxo para alguns privilegiados.

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Pra mim, na placa de entrada está escrito RYM e pronto!
Porque a iluminação da praça, ao escurecer, cria uma atmosfera de sonho. As torres coloridas são dramáticas durante o por do sol e quase um delírio de criança quando a noite cai por completo.


A uma curta caminhada a partir da catedral de São Basílio, está a ponte principal de Moscou, com as melhores vistas sobre o rio que corta a cidade. Um resumo da história moscovita, já que é possível avistar das cúpulas das capelas seculares que sobraram aos prediassos que Stalin mandou construir no lugar de algumas delas.



Porque viagens anteriores vão fazer sentido e viagens posteriores vão ser planejadas. Berlim, Praga ou Cracóvia são filiais famosas que foram governadas pelo Bloco, mas Moscou foi a sede.

Testemunhar como o colapso do sistema socialista, que vingou fortemente por algumas décadas, fez com que Moscou rapidamente se tornasse uma cidadade absurdamente cara e em busca constante de identidade. Todas as avenidas largas e monumentos em homenagem a grandeza da URSS, estão cercadas de shoppings, barraquinhas de souvenirs e pessoas bonitas e bem vestidas de fazer inveja a Milão.

Veja também:
- Teste de auto-estima no metrô de Moscou

sábado, 23 de abril de 2011

Teste de auto-estima no metrô de Moscou


A pessoa que inventou a expressão olha o buraco em que você se meteu deve ser russa. O metrô de Moscou, com seus 4 ou 5 andares, tem escadas rolantes vertiginosas e intermináveis. Elas levam a estações gigantes e, com tantas linhas e intersecções, que não dá pra entender porque o trânsito lá fora é tão pesado. Construídas sob o conceito de "Palácios para o povo", assim como o governo socialista gostava de definir, as estações são lindas e, apesar de terem um layout padrão, cada uma delas teve uma intervenção diferente que as torna únicas.

fonte: thecontaminated.com
O primeiro teste: comprar uma passagem. Inglês na Rússia é tão pequeno quanto na América do Sul em geral, com a diferença de que na América do Sul, mesmo sem saber nada de espanhol, arrisca-se. Uma funcionária do hotel me explicou as diferenças dos bilhetes de metrô e me escreveu num papel em russo pra eu levar no guichê e comprar a passagem certa. Cada trecho custa 26 rublos, + ou - R$ 1,50.


Segundo: a sinalização, como de costume na Europa, é fantástica. Impossível se perder... se você lê russo. Tudo exclusivamente sinalizado em alfabeto cirílico. Decore os primeiros 3 ou 4 símbolos do nome da estação e seja o que Deus quiser. Pra completar, dentro dos vagões não há nenhuma sinalização da estação em que você se encontra naquele momento. Quando já me sentia um retardado total, tcharans: uma plaquinha pequena, bem no meio da estação, com o nome de todas as outras escrito em alfabeto romano. Finalmente, algo pronunciável. Melhor que qualquer palestra motivacional do Lula, do Bernardinho ou até das que o Lênin deve ter feito, uma vez de volta a superfície, você se sente capaz de fazer qualquer coisa.


Veja também:

sexta-feira, 15 de abril de 2011

Não necessariamente sobre Durban

Depois de quase um ano, voltar para um lugar com o qual você nem criou uma identidade tão grande pode ser encarado de duas formas: 1 - um saco; 2 - uma segunda chance.
Eu tinha essa pendência com Durban. No wishlist dos destinos a serem repetidos ela era o último lugar de longe mas, de repente, por que não? De fato, de fato mesmo, nunca estive em Durban - estive na Copa do Mundo. Juntei dinheiro por um ano pra poder passar 3 dias lá e ver um jogo: Brasil e Portugal.

E convenhamos que a Copa do Mundo é um país a parte, itinerante e que aparece no mapa por 30 dias a cada quatro anos. Aqui vai uma diferença das grandes: na mesma cidade onde tive que ficar numa pousada precária e 20 km longe do centro por US$ 300, o hotel 5 estrelas onde a Seleção se hospedou hoje tem quartos por R$ 300,00.

A situação da cidade era completamente diferente. Revisitar o que vivenciei há não tanto tempo assim me fez perceber que a minha também. Não é normal que eu lembre da casa da câmbio onde troquei dinheiro e muito menos da pessoa que me atendeu mas, quando veio o dejavú, lembrei até do nome: Ndwane. Lembrei do atraso no vôo de volta pra Johannesburgo e que o Ricardo Boechat tirou uma foto minha com a Renata Fan.

O legado daqueles dias ainda está na cidade, seja no belíssimo e ainda insustentável estádio, ou no aeroporto que revolucionou toda a logística da África do Sul, tornando Durban um dos principais hubs do país. E foram esses cenários que me trouxeram as lembranças do meu maior sonho até então: viver pra viajar.

Digo até então porque, hoje, o sonho virou plano e o plano está em ação. Ver tudo aquilo tão igual, mas tão diferente, fez bater um insight como eu nunca havia tido antes, uma certeza de que o que está passando hoje foi o que eu imaginei ontem. Ainda me divirto com coisas tão bestas e simples quanto os sotaques ou a mão inglesa.

O time do Brasil que entrou em campo no jogo do ano passado foi, provavelmente, o pior que eu já vi; a África do Sul continua, mesmo hoje, especialista em empurrar a pobreza pra dentro de um jeito que, se você não quiser, não vai enxergá-la. Mesmo com tudo isso, eu e Durban, nós nos reconciliamos porque, apesar de ainda não ter achado nada de especial na cidade em si, seja quando for minha próxima vez por lá, falta de identidade já não vai ser mais problema.


p.s: alguns vídeos ressuscitados feitos ano passado, no dia do jogo. O primeiro é da torcida portuguesa no cassino, alguns instantes antes. O segundo é dentro do estádio, antes do público chegar.




Veja também:
- Mega
- No país Copa do Mundo
- Durban, uma ex-estrela
- Planejando seu safari na África do Sul
- Onde ficar em Johannesburg
- Cidade do Cabo, África do Sul

quinta-feira, 7 de abril de 2011

Al Picchio, Roma


Bem ali, a menos de um quarteirão da Fontana de Trevi, o Al Picchio, na via Lavatore, é uma daquelas portas estreitas de vidro que não dá pistas sobre o tamanho do lugar que está por trás. O balcão e as 4 mesas que ficam a vista fazem todo sentido: todo mundo lá dentro está sem casaco e com a mesa forrada de pasta e vinho, enquanto do lado de fora os 5 ou 6 graus praticamente te empurram para dentro. Um ambiente meio taverna medieval, com incontáveis escadinhas e passagens que vão abrindo o caminho aos poucos. Interminável.


Numa região onde tudo poderia cheirar a armadilha, mais mitos do tipo a Europa não é pra mim são derrubados. Uma garrafa do vinho da casa: 4 Euros; Tortellini ao molho branco: 7 Euros; uma porção de bruschettas: 3 Euros. Os mais conservadores - muquiranas - diriam pra não encostar no couvert porque encarece a conta consideravelmente. De fato, o mesmo preço do prato principal. Mas pelo amor de Deus... que jeito que dá pra ignorar aquele pão italiano com 4 ou 5 tipos de queijo olhando pra você?

Tudo num ritmo muito próprio - os pratos podem demorar um pouco mais que o usual para sair mas, se me dissessem que era porque estavam caprichando, eu acreditava. Tudo muito bem servido e, além do mais, de todas as coisas excepcionais pelas quais a Itália é famosa, velocidade nunca foi uma delas. Dolce far niente!

Al Picchio
Via del Lavatore 39,40
Roma
http://www.ristorantealpicchio.it/

Veja também:
- Nem todos os caminhos chegam a Roma, mas deveriam
- Itália: estação menos alta
- Milão 15 graus: a Europa como ela deve ser

domingo, 3 de abril de 2011

Nem todos os caminhos chegam a Roma, mas deveriam

coliseu
Coliseu
"NÉCSTE ESTÊICHAN: COLOSSEO. ECZÍTE ON THE RÁITE!". Tudo em maiúscula mesmo, berrando. Até as vozes do metrô italiano tem um sotacasso. Muita pasta, vino rosso e poucos romanos. Já dizia o Vitor, meu amigo de nascença: onde será que eles vivem? Isso é, se ainda houver espaço pra eles, porque parece não haver época de pouco movimento na cidade. Roma é linda de não saber pra onde olhar. Nunca tropecei tanto na vida.

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Tudo grande, imponente, marcante. Não tem nada de rústica ou discreta - um império. As infindáveis esculturas e monumentos humanos de Roma, em fotos, tendem a chamar o tamanho real de um ser humano e, a primeira coisa que me saltou ao olhos, é que elas são 3, 4, 5, 10 vezes maiores que nós. Desperta um sentimento raro porque, todos aqueles caras que a gente ouve falar na escola: persas, astecas, otomanos... eles foram fantásticos, só que viraram papel. Mas Roma ainda está lá e ainda é a capital de um país forte. Eterna - uma recompensa para quem acha o caminho, já que infelizmente nem todos vão dar lá.

italia roma
roma coliseu
coliseu roma

São tantos marcos reconhecíveis, tanta coisa que já apareceu na tv, nos guias e nos power points, que leva um tempinho pro queixo se recuperar e cair a ficha de onde você está. A história contada em cada arco e cada ruína se mistura e confunde devido as épocas. Os maiores desses marcos, inclusive, são de momentos totalmente opostos: O Vaticano, a sede da religião mais poderosa e rica do mundo, está a apenas alguns quarteirões do circo - Coliseu - onde os fiéis desta mesma igreja eram lançados a leões antes do Império Romano converter-se ao cristianismo.

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Vespa de verdade

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Vespa de mentira
 Só por andar na rua e olhar, já vale o ingresso. Bobagem ficar procurando galerias de arte ou museus, quando a própria cena urbana da cidade já é tudo isso. O transporte público limitado parece ser ainda da época de Jesus, mas a desculpa é boa: a cada escavação do metrô, algum vestígio arquielógico é encontrado. O alerta em relação a batedores de carteira no meio da multidão também é recorrente mas a verdade é que o grande perigo é não ter mais vontade de ir pra qualquer outro lugar.


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Prosciutto! Trouxe dois quilos comigo... só pra garantir
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Fontana de Trevi
Veja também:
- Milão 15 graus: a Europa como ela deve ser