sexta-feira, 30 de dezembro de 2011
Feliz Ano Novo e um 2012 mais japonês!
Depois de uma parada rápida no Japão pra fechar 2011, eu quero um ano novo tão inspirador quanto o povo de lá.
Eu quero um ano com o respeito dos japoneses, que não confundem educação com gentileza e, mesmo que não tenham recebido a primeira, dedicam pelo menos 15 segundos do dia pra fazer a segunda.
Quero ter a gratidão deles também, pra retribuir cada favor que ninguém é obrigado a fazer e mostrar que ser tímido não é defeito.
Eu quero ter a sabedoria dos japoneses, que sabem que as coisas vêm e vão - a vida é cíclica e nunca terá a monotonia de uma linha reta.
E mesmo com olhos tão apertados, ser incapaz de dar um sorriso falso.
Feliz 2012!
quarta-feira, 28 de dezembro de 2011
O metrô de São Petersburgo, ou melhor, Leningrado
São Petersburgo ou Leningrado não é só questão de nomenclatura. Esse anos que a cidade passou sob comando soviético, batizada em homenagem a Lenin, mudaram o estilo de vida da cidade pra sempre. O que há de comum entre os períodos? Palácios.
Os palácios da nobreza em cima da terra, pra meia dúzia. Os Palácios para o povo, como a União Soviética batizou as estações de metrô, submersos.
A Revolução Socialista na Rússia deu certo como nenhuma outra - uma rede de metrô feita de estações de mármore e lustres de cristal não passou sequer por orçamentos e foi construída rapidamente por trabalhadores que receberam ideologia ao invés de dinheiro. Mas o governo socialista deu errado como nenhum outro, desgatando-se como o sonho de quem acreditava realmente na possibilidade de construir uma nova nação. É uma loucura pensar que muitas da pessoas que cresceram sob este sonho, aliás, já tiveram duas ou três nacionalidades antes dos 20 anos de idade.
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| Estação Avtovo estava estava em reformas... |
Lindo, barato e eficiente, o metrô de São Petersburgo não é só uma memória ou legado deste período. A forma conservadora com que os russos se vestem, os vagões velhos e barulhentos e as luzes fracas dão tal atmosfera pra esse turismo soviético, que quase não é preciso usar a imaginação. Até mesmo as estrelas e as foices cruzando os martelos ainda estão lá - pouquíssimas foram retiradas.
Pra ver o melhor da arquitetura ferroviária soviética, a linha vermelha é a mais antiga e, da estação Ploschad'Vosstaniya até o extremo sul, qualquer uma das paradas vale a pena (em especial, a estação Avtovo).
Veja também:
- São Petersburgo, Rússia: sobre czares e bolcheviques
- Hermitage, em São Petersburgo, só perde pro Louvre
- De São petersburgo a Tsarkoye Selo, uma epopéia russa
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sábado, 24 de dezembro de 2011
Feliz Natal, já com saudade
Cansei de escutar que saudade é uma palavra que só existe em português. É uma certa pretensão desse nosso idioma, achar que pode expressar a falta de alguém melhor que os outros, como se a falta de alguém fosse expressável.
Mas aí eu penso: "sinto sua falta", como se diz por aí, em não-português. É uma tamanha pretensão dessas outras línguas, querer tornar a saudade assim, tão simples.
Perto de um sentimento tão universal, todos os idiomas juntos são pequenos. O máximo que a linguística explica é que, entre sinto saudade e sinto sua falta, um deles sôa melhor. É menos possessivo, mais positivo, sequer precisa de um sujeito - "que saudade!" já diz tudo.
Não quer dizer que não dôa, às vezes. Não quer dizer que seja sempre boa. Não dá pra saber do que é feita a saudade, na verdade. Mas sabendo um pouco do cabe nela, o estranho, mesmo, seria se eu não a sentisse.
Feliz Natal!
Por dias fantásticos passados no meu canto preferido do mundo: em casa.
Mas aí eu penso: "sinto sua falta", como se diz por aí, em não-português. É uma tamanha pretensão dessas outras línguas, querer tornar a saudade assim, tão simples.
Perto de um sentimento tão universal, todos os idiomas juntos são pequenos. O máximo que a linguística explica é que, entre sinto saudade e sinto sua falta, um deles sôa melhor. É menos possessivo, mais positivo, sequer precisa de um sujeito - "que saudade!" já diz tudo.
Não quer dizer que não dôa, às vezes. Não quer dizer que seja sempre boa. Não dá pra saber do que é feita a saudade, na verdade. Mas sabendo um pouco do cabe nela, o estranho, mesmo, seria se eu não a sentisse.
Feliz Natal!
Por dias fantásticos passados no meu canto preferido do mundo: em casa.
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sábado, 17 de dezembro de 2011
De São Petersburgo a Tsarkoye Selo, uma epopéia russa
Mochilopédia rápida: Pedros e Catarinas eram abundantes na história da Rússia. Geralmente, eles se casavam, se dando bem ou não. Ao contrário dos Pedros, a Catarina que ficou mais famosa foi a segunda - não foi a pioneira, mas foi a mais megalomaníaca. Ficou com ciúme que desde a geração anterior os pedros já tinham seu palácio (Peterhof) e mandou fazer um maior, o Tsarkoye Selo.
Chegar ao palácio é tão difícil, mas tão difícil, que eu nem vou me prender a nomes. Seria melhor se eu escrevesse um tutorial sobre como não chegar. A epopéia foi mais ou menos assim: pesquisei como ir de ônibus e trem - um plano B, na Rússia, é vital. Acordei às 9:00, direto pra estação de trem. Tentei conversar com um guichê, tentei conversar com dois. Nada. Tentei uma terceira, que me apontou a máquina de auto-atendimento... que não tinha opção alguma de segundo idioma, fora russo. Depois de ir e voltar por algumas plataformas e fazer papel de bobo por quase uma hora, alguns funcionários já apontavam e riam. Foi o sinal pra acionar o plano B.
Capítulo 2, estação de ônibus. Bom, o terminal de ônibus não era bem uma estação. Era uma praça, dessas soviéticas, enormes, com um Leninzão no meio e uns 30 pontos em volta. Tentei estabelecer comunicação em todos os níveis: falando, gesticulando, escrevendo e me desesperando. Mas não foi negociável. Nem o arsenal do TripAdvisor que eu trazia comigo foi suficiente.
A verdade é que, uma vez lá, qualquer mico ou esforço é recompensado. Os palácios reais russos são todos de quebrar o queixo e, o Tsarkoye Selo, em especial, é gigantesco. Muito do que está lá não é mais original, já que bombardeios durante a Segunda Guerra o destruíram em quase 100%. O trabalho de restauração foi tão minucioso que, se não fossem as fotos exibidas no interior do palácio, nem dava par desconfiar. Os tons pastéis, misturados às cores das folhas laranjas, fazem os 0 graus parecerem amenos.
O interior foi decorado com obras e mobília originais, que foram depositadas no Hermitage enquanto a área estava sob ataque. E os jardins... o que seria dos palácios sem seus jardins? Labirintos, lagos e pontes totalmente ermos, não fosse pelos casais tirando fotos para books de casamento.
E pra fazer o caminho de volta... é, pra voltar é uma outra história.
Veja também:
- Hermitage, em São Petersburgo, só perde pro Louvre
- São Petersburgo, Rússia: sobre czares e bolcheviques
- 10 motivos pra passar um dia inteiro na Praça Vermelha, Moscou
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Tsarkoye Selo
quarta-feira, 7 de dezembro de 2011
Blogagem Coletiva: 7 posts
| Porto, Portugal |
Uma pausa em São Petersburgo por um motivo muito nobre: blogagem coletiva! Blogueiros de Viagem, viagens de blogueiros. A idéia sugerida pela Cláudia, do Aprendiz de Viajante, é sensacional. Primeiro, por dar a chance de cada blogueiro dar uma repassada no histórico do seu material e trazer de volta, por exemplo, aquele post injustiçado que ficou pra trás por algum motivo. Depois porquê, para a interação blogueiros/leitores, esse será um dos momentos de mais honestidade e transparência, já que os posts são eleitos pelos próprios autores que, com certeza pensaram (e penaram) muito pra encaixar os textos em suas respectivas categorias, deixando de lado algo que gostariam de ressuscitar e, sem dúvida, irão apreciar qualquer tipo de discordância/quebra-pau.
Pra falar a verdade, me empolguei mesmo com o negócio, ainda mais recebendo o convite de viajantes e autores de dois dos melhores blogs de viagem do Brasil, disparados: a Camila Navarro, do Viaggiando; e o Alessandro Ayres, do Wazari.
Sete categorias, o número da perfeição. Cada uma delas tão incisiva, que as escolhas podem não ter sido tão perfeitas assim. Com um pé atrás, os meus 7 links:
O mais bonito
- Praga, cidade das torres
Praga te conquista aos muitos. Linda à primeira, segunda e décima vista.
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| Centro Velho de Praga |
O mais popular
- Porto, em Portugal é chance de ir a Europa gastando pouco
Portugal, deifinitivamente, não enjôa. Que povo autêntico, que lugar espetacular e que bom saber que cada vez mais barsileiros descobrem que o país não se limita a Lisboa.
O que gerou mais discussão/controvérsia
- Londres me paga
Tudo por causa do preço do guarda-chuva!
O que ajudou/ajuda mais gente
- Planejando seu safari na África do Sul
Um safari de verdade desperta tantas dúvidas que, às vezes, ao invés de esclarecê-las, as respostas abrem um leque com ainda mais questões.
| Jardim Botânico, Curitiba |
Aquele cujo sucesso surpreendeu
- Além de tudo, Curitiba é um exemplo
Simplesmente adorei escrever sobre Curitiba mas, depois que já tinha publicado, achei que tivesse sido meio sisudo ao definir a cidade como um exemplo. Felizmente, agradou.
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| Skyline de Hong Kong |
O que não recebeu a atenção que deveria
- Quando o Brasil descobrir o tamanho que tem
Completamente fora da linha do blog, este post foi um desabafo depois de ver tanta baboseira na mídia na época da eleição de 2010.
O que você teve mais orgulho
- Hong Kong, é China ou não é?
Como é bom se surpreender com um lugar. Ainda mais quando a expectativa sobre ele já era boa.
E passo a bola pra frente, convidando:
- Vambora!
- We Rock Tour
- Uno en Cada Lugar
- Grito na Rua
- Dividindo a Bagagem
- Da Cachaça pro Vinho
- Lá e de Volta
domingo, 4 de dezembro de 2011
Hermitage, em São Petersburgo, só perde pro Louvre
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| Hermitage |
Tudo se encaixa. São Petersburgo é uma aventura, ainda que urbana. A insegurança por não poder falar ou sequer tentar ler o idioma são angustiantes e, em alguns momentos, mesmo estando numa cidade segura e estruturada, me senti menos a vontade que quando me enfiei no meio do mato na África. Mas encaixa, faz parte - afinal, é o país mais deslocado do mundo. Muita gente não consegue enxergá-lo na Europa, menos gente ainda na Ásia.
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| Interior do palácio é cuidadosamente preservado e restaurado |
Um continente chamado Rússia. E São Petersbugo é, geograficamente, a menor das aberrações, já que é a cidade mais perto da Europa Ocidental que, por sua vez, foi a fonte de inspiração do Pedrão. E ele deve ter olhado algo muito bonito mesmo pra mandar construir o Palácio de Inverno para a sede do novo governo.
O palácio virou o Hermitage, museu com coleções tão extensas que perde apenas para o Louvre. De tão majestoso, é um desafio pra sua curadoria - alguns cômodos são tão rebuscados que ofuscam as obras exibidas e, outros, de tão suntuosos, são exibições em si. Mapeie sua visita, tenha prioridades e vá direto aos assuntos que te interessam mais porque esse negócio de que um dia inteiro não é suficiente não é mentira. Fiz um expediente em tempo integral e, honestamente, dava pra voltar pelo menos uma vez.
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| Ala do Hermitage dedicada a Gauguin |
E a verdade é que, apesar dos dois primeiros andares serem os que ainda estão caracterizados com cômodos de palácio, foi no último piso, nas salinhas simples e quase sem acabento que gastei a maior parte do tempo com as as coleções dos meus preferidos: Picasso, Kandinsky, Matisse, Cezanne, Monet, Van Gogh e outros vanguardistas estão lá em peso. Fora isso, só deu tempo pra passar na área de arte italiana (onde está a Madona Litta, um dos primeiros trabalhos de Da Vinci) e espanhola.
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| Piso panorâmico da Catedral de São Isaac |
Sequer cheguei às coleções bizantinas, egípcias, gregas e das outras civilizações antigas. Na dúvida, siga as sugestões que estão no mapa que te entregam na entrada. São boas e te levam direto ao ponto, sem que você tenha que ficar na angústia de querer ver tudo. Caso contrário, no meio do dia você acaba entediado e com pane cerebral por tentar absorver tanta informação diferente.
Ainda na entrada, há a opção de comprar uma licença pra fotografar por cerca de 400 rublos (+ ou - R$ 20,00). Comprei e me arrependi - dentro do museu, passei pro dezenas de fiscais e nenhum solicitou. Deve ser algum velho hábito soviético caindo no esquecimento.
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| Vistas do mirador da Catedral de São Isaac, que tem piso panorâmico 360 graus |
Geralmente, pra conseguir desenhar um rascunho do mapa da cidade na minha cabeça, o primeiro lugar que vou é o ponto panorâmico. Em São Petersburgo, logo que você sai do Hermitage e olha pra direita, a Catedral de São Isaac é o lugar pra isso, mas com duas diferenças: uma - mesmo ao chegar ao piso panorâmico da Catedral de São Isaac, a cidade, de tão imponente, não diminui lá embaixo; duas - é dali que você se pergunta como um destino daqueles pode ser estar ainda tão escondido. O som de fundo toca Tchayokovsky - um dos mais ilustres habitantes de São Petersburgo - e, mesmo passando muito frio, quero ver conseguir sair dali.
Continua no próximo post
Veja também:
- São Petersburgo, Rússia: sobre czares e bolcheviques
- 10 motivos para passar um dia inteiro na Praça Vermelha, em Moscou
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