sexta-feira, 3 de fevereiro de 2012

Rússia: antes que tudo pareça impossível

Moscou

Antes que tudo pareça um obstáculo, algumas informações úteis:

Entrar na Rússia sendo brasileiro é mais fácil que sendo europeu e muito mais fácil que sendo americano. Desde junho de 2010, voce mostra seu passaporte brazuca na imigração e pum: carimbado.

Antes de sair planejando a viagem, é importante lembrar que as datas, numa viagem pra Rússia, são cruciais. Em Maio ou Junho, por exemplo, a temperatura está amena e as White Nights, dias em que o sol se põe pra lá das 11 da noite, são um espetáculo que valem o ano. Em compensação, em janeiro, é possível caminhar sobre os rios curtindo uma temperatura da sibéria.

Fácil de chegar, difícil de sair. O aeroporto de São Petersburgo tem, teoricamente, dois terminais - na prática, dois aeroportos. Um fica muito (muito!) longe do outro e os dois são incrivelmente desconectados. Ainda por cima, se você for parar no terminal errado, dificilmente conseguirá chegar ao outro de ônibus. Não porque o povo russo não se dispõe a ajudar, mas porque a máfia dos táxis é o crime mais bem organizado que eu já vi. Enfim, pra evitar confusões, basta memorizar: Terminal 1 - vôos domésticos, Terminal 2 - vôos internacionais. O primeiro é bem maior e mais bem organizado, visto que os vôos diretos para São Petersburgo procedentes de outros países ainda não são muitos.

São Petersburgo


Acredito que São Petersburgo está na fila de destinos escondidos por não mais muito tempo. Muita estrutura e beleza pra pouco visitante, por causa das burocracias e a desconfiança em relação à Rússia. Se fazer bate-voltas for um desafio, encare como uma aventura que faz parte do prazer de uma viagem para tão longe. Por outro lado, dentro da cidade, as sinalizações em inglês do metrô facilitam 100% a vida do viajante.

Em Moscou, a atmosfera amigável dá lugar a um conservadorismo mítico, de uma cidade que tem noites incríveis e shoppings a cada esquina, mas ainda em busca de identidade depois de ter sido, por décadas, a sede da segunda potência do mundo. Longe de ser unânime: há quem ache que não há mais nada par ver fora a Praça Vermelha, há quem a considere uma cidade perigosa e há quem diga que não vale a preço. De fato, Moscou tem sido considerada a cidade mais cara do mundo por sucessivos anos mas, só pela controvérsia, já vale a visita.

Ainda no capítulo dinheiro, é fundamental levar dinheiro em espécie e em moeda forte. Em espécie porque, na Rússia, o problema de golpes com cartão de débito e crédito é tão grande quanto no Brasil, com o agravante de que eles não tem a mesma tecnologia bancária; em moeda forte para que se possa trocar aos poucos, sem que haja grandes perdas no caso de se trocar tudo de uma vez e não usar.
Na dúvida, visite as duas. Na dúvida e com tempo, faça a Transiberiana (meu sonho de consumo, aliás), a mítica ferrovia que vai de São Petersburgo a Vladvostok.

Não vacile na rua - brasileiros são pós graduados nisso - , não mostre a sola do sapato porque é uma ofensa das grandes, coma strogonoff pra caramba, baixe um aplicativo com as linhas de metrô para o iPhone e, em alguns dias, ler placas em alfabeto cirílico vai deixar de ser desesperador pra virar diversão.


Todos os posts sobre a Rússia:
- 10 motivos pra dedicar um dia em tempo integral a Praça Vermelha, em Moscou
- Moscou, mini-vídeos
- Rússia: turismo oficial dormindo
- Hermitage, em São Petersburgo, só perde pro Louvre
- São Petersburgo, Rússia: sobre czares e bolcheviques
- O metrô de São petersburgo, ou melhor, Leningrado
- De São Petersburgo a Tsarkoye Selo, uma epopéia russa
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