quinta-feira, 6 de setembro de 2012

Helsinki a São Petersburgo de trem, o último trecho


Helsinki, numa viagem de  rotas, encaixa perfeitamente. Além de ser toda caminhável, ela dá a chance de chegar e partir utilizando dois meios de transporte diferentes, sem que nenhum deles vôe.

Minha chegada foi de barco, a saída por trem - os dois a 10 ou 15 minutos do hotel, em caminhada.Eu estava num lugar tão estratégico, que deixei só uma hora entre o tempo de acordar e de estar na estação. Viagem de trem na Europa só tem burocracia de passaportes quando já se está a bordo. E a sua pontualidade é recompensada - trem das 7:59 só sai as 8 se der algo errado.



Por outro lado, mesmo em lugar onde tudo funciona, imprevistos acontecem. Eu já tinha comprado o ticket pela internet e tinha o recibo na mão. O que acontece é que ele não valia como ticket, o qual deveria ser impresso numa máquina de auto-atendimento da companhia de trens da Finlândia. Na estação, tendo um pouco menos de meia hora para a partida, fui pra maquininha digitar o número do meu recibo, como as instruções dele próprio orientavam. Todas as tentativas, em todas as máquinas, falharam. Sem exceção. E logo eu, que estava perdendo a paciência com os velhinhos no caixa eletrônico quando era bancário.

Não tive muita opção além de ir para o atendimento  presencial e tirar meu papelzinho que dizia "sua senha, 73; em atendimento, 20". Felizmente, eles põe gente pra caramba pra atender. Às 7:55, saí da sala de atendimento correndo quase mais que o trem-bala e ainda consegui bater uma foto antes de entrar no Allegro, como o trem foi batizado.




A frequência do Allegro, quando a linha começou, em dezembro de 2010, era de uma viagem diária. Hoje, menos de dois anos após a inauguração, os trens partem 4 vezes ao dia, de Helsinki para São Petersburgo e vice-versa.

Mais calmo e de assento garantido, fui achando, aos poucos, os motivos deste ser um dos trens de alta velocidade mais bem-sucedidos da Europa. Tão novos quanto a linha que fazem, os vagões ultra minimalistas privilegiam cada um dos seus passageiros da mesma maneira.

Os assentos são todos desenhados de forma que ninguém pegue o vão entre duas janelas, por exemplo. E a mesa, disponível ao meio de cada quatro assentos, é dobrável, pra que o cara que está na janela possa sair mais fácil sem ficar esbarrando em quem está no assento do corredor. O trem ainda inclui um playground no fundão e, no vagão restaurante, os lanches rápidos foram substituídos por pratos de verdade.

Câmbio também está disponível por toda a viagem, o tempo todo, já que na Rússia quem aceita euro inflaciona tudo absurdamente. Se não tiver rublos, compre. Esta é a última chance.


 
 
 
 
Ao longo da viagem, muitos lagos cristalinos, horizontes infinitos, estações pequeninas escondidas entre as árvores cheias do verão e... uma borda muito bem definida - passar da Finlândia pra Rússia é um momento tenso. Rígida e poderosa, a polícia russa nunca perdeu a pompa de um país educado militarmente pelos últimos 100 anos. Pedem pra ver seu passaporte e mala quantas vezes for preciso, sem receio de incomodar. O trem diminui de velocidade consideravelmente por algum motivo que não sei qual mas, a julgar pela simpatia dos agentes de imigração, acho que te deixam por ali mesmo se não forem com a sua cara.

Fora isso, são 3:30 que passam mais rápido que deveriam e, para a chegada em São Petersburgo não poder ser mais emblemática, o trem para na Estação Finlândia - a mesma em que, em 1926, Lênin chegou disfarçado para começar a Revolução Russa. Descobrir a Rússia a partir daí, então, é uma outra história (que felizmente, tem capítulos já publicados no Esvaziando a Mochila =D, listados abaixo)


Informações Úteis sobre o Allegro:

* Onde comprar: buscando no Google, achei diversas agências que vendem o ticket. Porém, o site mais confiável e barato, é, sem dúvida, o site da própria companhia finlandesa de trens, a VR:
* Quanto custa: a tarifa é variável e depende de alguns fatores como a estação do ano e a antecedência da compra, mas o preço médio é de 95 Euros
* Frequência: todos os dias, em 4 partidas em ambos os sentidos
* Burocracias: apenas passaporte. Brasileiros não precisam de visto apra visitar Finlândia ou Rússia.


Todos os posts sobre a rota pela Escandinávia:
- Escandinávia: pra curtir a rota
- Escandinávia 2: de Copenhagen a Estocolmo de trem
- Escandinávia 3: Estocolmo
- Estocolmo: turistando como um local
- Estocolmo a Helsinki de Ferry: o dia que não teve noite
- Finlândia: 24 horas em Helsinki



Todos os posts sobre a Rússia:

Rússia
- Turismo Soviético: por onde fazer
- Rússia: antes que tudo pareça impossível

São Petersburgo
- São Petersburgo, sobre czares e bolcheviques
- Nevsky Prospekt,  avenida que é o centrão de São Petersburgo
O metrô de São Petersburgo, ou melhor, Leningrado
- Hermitage, em São Petersburgo, só perde pro Louvre
- São Petersburgo: muito antes do Bellagio, já havia o Peterhof
- De São Petersburgo a Tsarkoye Selo: uma epopéia russa

Moscou
- 10 motivos pra dedicar um dia inteiro à Praça Vermelha, em Moscou
- Moscou: mini-vídeos


 

2 comentários:

  1. Helsinki deve ser o máximo mesmo.
    Na outra vez que estive na Rússia me arrependi de não ter feito esta esticada.
    Tenho bastante curiosidade pela exótica e fria Finlândia ;)
    @GusBelli

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    1. Ficou ainda mais exótica quando cheguei lá com um calor de arrebentar Gustavo! A Finlândia, na minha cabeça, era aquele lugar que tinha neve 800 dias por ano!
      Abraços e valeu a passada por aqui!

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