terça-feira, 25 de setembro de 2012

Por que voltar, se eu já estive lá?


Um dos lugares que não decepciona quem chega lá pela segunda, terceira ou décima vez: Lisboa

Eu já estive lá. Por um ou dois dias, mas já vi tudo, então não há motivo pra voltar.

Não precisa curtir. Não precisa explorar. Fazer um city tour de 3 horas, tirar uma foto centralizada em frente ao cartão postal principal pra dizer eu estive aqui e pronto.

Aí o negócio é partir pra algo novo - um novo destino pra uma nova foto, um novo pin amarelo no TripAdvisor. Todo mundo sabe que eu já estive lá, já conheço tudo. Ah, lembrando que este lugar novo, se não tiver aquela torre, aquele relógio ou qualquer outro monumento instantaneamente reconhecível, é um lugar chatíssimo que não tem nada pra fazer.

Por quanto tempo você tem morado na sua cidade? Vinte, trinta, quarenta anos? Talvez menos que isso, se já tiver se mudado. Talvez mais, se nunca pensou em sair. Eu morei quase a vida toda na mesma cidade e, quanto mais ela me mostra, mais possibilidades abre. Se eu converso com amigos meus que estão lá por mais ou pelo mesmo tempo, concordamos em milhares de pontos de vista, mas discordamos em milhões.

Voltar pra um destino que te marcou - ou até algum do qual não tenha gostado - é uma das experiências de viagem mais únicas que existe. Os lugares se renovam. Nossos pontos de vista também - é completamente diferente passar por uma cidade depois de um tempo sem ter estado lá, com outra companhia ou em outro estado de espírito. Muita coisa nova salta aos aos olhos, muita coisa velha também. Conclusões precipitadas são eliminadas e novas conclusões percipitadas são tiradas.

Sempre há um ponto de partida que não seja o prefácio. Aliás, quem tem mesmo o hábito de ler, geralmente pula o prefácio. Sorte que essa arrogância do viajante a jato é sempre perdoada pelos destinos - mesmo pra quem volta a contragosto pensando o quanto vai ser difícil achar um ponto de vista pra outra foto que não seja a centralizada. Pulando ou fazendo vezinho com a mão, talvez. Eles continuam lá tentando convencer visitantes a dar-lhes um pouco mais de tempo ou uma segunda chance - muito calmamente, até porque têm vivido por muito mais que vinte, trinta ou quarenta anos. 

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