sexta-feira, 24 de fevereiro de 2012

Ilhas Seychelles 2: o caribe no continente errado


Tem muito país que acabou ficando deslocado nesse planeta. Não só por estar longe de tudo mas por estar completamente fora de encaixe no globo. Veja só: você passa por Índia, China, Vietnã, Malásia, Indonésia e outros exóticos mais, até que chega na... Austrália! País totalmente ocidentalizado e com ares de Canadá, que poderia estar na América do Norte, substituindo o México que, por sua vez é um país sul-americano por natureza.


As Seychelles, com sua mistura de colonização franco-britânica, sua arquitetura e suas praias, poderia certamente ter sido encaixada no Caribe. Por que não foi, eu não sei. Mas como tudo tem dois lados... imagine esta mesma praia da foto acima, do mesmo jeitinho, só que com catamarãs lotados chegando a cada cinco minutos ou um beachclub ali atrás. Estragaria tudo ou não?

É aqui que eu quero dizer porquê, em Seychelles, você leva uma vida de rei. Depois de um pouso sensacional em Mahe - a ilha principal -, desembarcar por um aeroporto que parece uma estação de trem e uma caminhada por Victoria, é hora de ir pra cama. Oito ou nove da noite e a sensação é de que já chegou a madrugada. Calmaria pra curtir o dia seguinte desde o amanhecer.




Seychelles desperta um espírito de mochileiro incrível. É tanta coisa pra explorar e tanto meio de transporte diferente, que sair rumo a qualquer lugar é sempre uma aventura. Uma aventura estruturada, é verdade, mas recompensadora de qualquer forma.

Pra chegar na Anse Lazio, a praia das fotos do post, é assim: saia do seu hotel rumo ao porto de Victoria. O ticket do catamarã até o porto da ilha de Praslin custa 82 euros pra quem não é local. Pra justificar o preço, os guichês não vendem assentos cobertos ou descobertos. Eles perguntam se você prefere ar condicionado ou fresh air - glamour até na técnica de vendas.




Uma vez na Ilha de Praslin, ache um dos taxistas e negocie uma tarifa fixa até a Anse Lazio. Não porque outras praias não valham a pena ou porque você tem que se apressar pra dar tempo de partir pra outro local. Muito pelo contrário: porque Anse Lazio é uma praia além da imaginação e merece cada momento do seu dia. O caminho, feito ora pela costa, ora por dentro da mata, é lindo.

O taxi te deixa lá e, quando vai embora, você tem o paraíso na sua frente, só pra você. Mesmo o ouvido e o nariz mais castigados pela vida cotidiana de uma grande cidade poderiam captar todos os cheiros e sons, pois são poucos e marcantes. É possível até identificá-los.

Qualquer serviço de aluguel de cadeiras, hotel, ou barraquinha de drinks - qualquer coisa que se pudesse pagar, basicamente - colocaria tudo a perder. Chegar até ali não é mais barata das empreitadas mas, naquele momento, com tudo aquilo na sua frente, de graça... é literalmente impagável. Meio quilômetro de praia que, mesmo com o céu escurecido, tem água azul turquesa e palmeiras que a escondem de quem vem por dentro da ilha.



Não há momento em que se compartilha a praia com mais de 10 pessoas. Uma das principais atrações de todo o arquipélago e, ainda assim, calma como o paraíso deve ser. Marcar horário de volta com o taxista é uma boa, porque pode não aparecer um outro na hora de voltar.

Continua no post: Seychelles, rochas cinematográficas, tartarugas gigantes e uma bicicleta

Veja também:
- Ilhas Seychelles: uma rústica vida de rei

segunda-feira, 20 de fevereiro de 2012

Seychelles: uma rústica vida de rei



De príncipe, na verdade. Mas não precisa escolher, necessariamente, a ilha onde William e Kate passaram a lua de mel, quando a fama e o dinheiro não atrapalham tanto a sua vida. Já faz quase um ano que o casal se escondeu numa das menores ilhas do arquipélago - que contabiliza mais de uma centena - e eu estive lá na mesma época, mas só agora criei coragem pra desenpendrivezar as fotos.

As Ilhas Seychelles raramente são primeira opção de quem procura praias paradisíacas, ainda mais quando, para brasileiros, o Caribe se torna mais e mais acessível. Outras razões como logística e até a falta de divulgação jogam contra.



O que está a favor, então? Seychelles tem milhões de leis ambientais, daquelas rígidas mesmo que, se a tornam um lugar caro, vão mantê-la sempre num estado quase virgem. Soa estranho: uma economia que depende de turismo ser tão rígida e inflexível quanto a preços. Mas, uma vez lá, tudo faz sentido. O que se tenta combater no arquipélago, seja nas remotas ilhotas de 10 metros quadrados ou na capital, Victoria, é o turismo em massa.



O jogo é meio confuso mesmo: paga-se mais por menos estrutura. É isso que quem visita as Seychelles está procurando - menos movimento e menos stress. Mesmo em hotéis e resorts luxuosos, as marcas das redes mais famosas não tem alterado o ritmo normal de tudo. Uma pizza pode levar quase uma hora pra sair e um prato mais elaborado, então... é melhor curtir seu drink devagar, afinal levou mais de 20 minutos pra ser preparado. Mau serviço pra quem está acostumado com a eficiência das grandes cidades; terapia de adaptação pra quem ainda não se tocou que está numa ilha, onde o vizinho mais próximo é... outra ilha. Ilhas Maurício e Madagascar são os pontos de menor distância.




Na Ilha de Mahe, maior de todas, Victoria se aprenseta como a menor capital do mundo. Com seu aspecto caribenho e ritmo baiano, Seychelles já exibe seus encantos e desperta nossa necessidade de comparação, antes que se possa alcançar qualquer uma das praias. As rodovias estreitíssimas que saem do aeroporto e levam aos hotéis, aliás, fazem qualquer brasileiro descedor de serra sentir-se a vontade.

Considerada um dos três países com índice de desenvolvimento humano alto na África, Seychelles tem uma capital minúscula e segura. Fica um pouco sinistro a noite e, na verdade, nem há nada pra se fazer. Victoria é, sem dúvida, uma cidade diurna. Duas ou três horas são sufcientes pra caminhar pelas ruelas, sentir a maresia e se preparar pro dia seguinte.

Continua neste post: Seychelles, o Caribe no continente errado

sexta-feira, 3 de fevereiro de 2012

Rússia: antes que tudo pareça impossível

Moscou

Antes que tudo pareça um obstáculo, algumas informações úteis:

Entrar na Rússia sendo brasileiro é mais fácil que sendo europeu e muito mais fácil que sendo americano. Desde junho de 2010, voce mostra seu passaporte brazuca na imigração e pum: carimbado.

Antes de sair planejando a viagem, é importante lembrar que as datas, numa viagem pra Rússia, são cruciais. Em Maio ou Junho, por exemplo, a temperatura está amena e as White Nights, dias em que o sol se põe pra lá das 11 da noite, são um espetáculo que valem o ano. Em compensação, em janeiro, é possível caminhar sobre os rios curtindo uma temperatura da sibéria.

Fácil de chegar, difícil de sair. O aeroporto de São Petersburgo tem, teoricamente, dois terminais - na prática, dois aeroportos. Um fica muito (muito!) longe do outro e os dois são incrivelmente desconectados. Ainda por cima, se você for parar no terminal errado, dificilmente conseguirá chegar ao outro de ônibus. Não porque o povo russo não se dispõe a ajudar, mas porque a máfia dos táxis é o crime mais bem organizado que eu já vi. Enfim, pra evitar confusões, basta memorizar: Terminal 1 - vôos domésticos, Terminal 2 - vôos internacionais. O primeiro é bem maior e mais bem organizado, visto que os vôos diretos para São Petersburgo procedentes de outros países ainda não são muitos.

São Petersburgo


Acredito que São Petersburgo está na fila de destinos escondidos por não mais muito tempo. Muita estrutura e beleza pra pouco visitante, por causa das burocracias e a desconfiança em relação à Rússia. Se fazer bate-voltas for um desafio, encare como uma aventura que faz parte do prazer de uma viagem para tão longe. Por outro lado, dentro da cidade, as sinalizações em inglês do metrô facilitam 100% a vida do viajante.

Em Moscou, a atmosfera amigável dá lugar a um conservadorismo mítico, de uma cidade que tem noites incríveis e shoppings a cada esquina, mas ainda em busca de identidade depois de ter sido, por décadas, a sede da segunda potência do mundo. Longe de ser unânime: há quem ache que não há mais nada par ver fora a Praça Vermelha, há quem a considere uma cidade perigosa e há quem diga que não vale a preço. De fato, Moscou tem sido considerada a cidade mais cara do mundo por sucessivos anos mas, só pela controvérsia, já vale a visita.

Ainda no capítulo dinheiro, é fundamental levar dinheiro em espécie e em moeda forte. Em espécie porque, na Rússia, o problema de golpes com cartão de débito e crédito é tão grande quanto no Brasil, com o agravante de que eles não tem a mesma tecnologia bancária; em moeda forte para que se possa trocar aos poucos, sem que haja grandes perdas no caso de se trocar tudo de uma vez e não usar.
Na dúvida, visite as duas. Na dúvida e com tempo, faça a Transiberiana (meu sonho de consumo, aliás), a mítica ferrovia que vai de São Petersburgo a Vladvostok.

Não vacile na rua - brasileiros são pós graduados nisso - , não mostre a sola do sapato porque é uma ofensa das grandes, coma strogonoff pra caramba, baixe um aplicativo com as linhas de metrô para o iPhone e, em alguns dias, ler placas em alfabeto cirílico vai deixar de ser desesperador pra virar diversão.


Todos os posts sobre a Rússia:
- 10 motivos pra dedicar um dia em tempo integral a Praça Vermelha, em Moscou
- Moscou, mini-vídeos
- Rússia: turismo oficial dormindo
- Hermitage, em São Petersburgo, só perde pro Louvre
- São Petersburgo, Rússia: sobre czares e bolcheviques
- O metrô de São petersburgo, ou melhor, Leningrado
- De São Petersburgo a Tsarkoye Selo, uma epopéia russa
- Muito antes do Bellagio, já havia o Peterhof