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| Praça Vermelha, Moscou |
Essa esperança de acreditar na natureza humana, esse absurdo de achar que todos compartilhariam tudo - que um dia não foi considerado absurdo -, essa publicidade cool que conseguiu vender um governo melhor que qualquer benefício que ele traria, esse encanto pela ideologia que provocou a revolução mais bem sucedida do mundo e, ao mesmo tempo, o governo mais desastrado. Eu sempre quis ter tido a oportunidade de visitar a União Soviética.
As conexões vão além: das histórias da minha mãe, que é viajada que só, minha preferida ainda é sobre a viagem que ela não fez, quando deixou de ir a Kiev no auge da cortina de ferro; entre meus melhores amigos, crescemos ouvindo as americanices anti-americanizadas dos anos 70 (que na época já eram bem velhas) e discutindo manifestos de Marx; na faculdade de design, propaganda na guerra fria sempre foi um dos assuntos que mais interessavam; e minha namorada é sérvia e, com 20 e poucos, já teve que decorar 4 hinos por causa de tanta divisão de país.
O gosto pela coisa e a tendência a intelectualóide nunca me deixaram voltar no tempo para conseguir um carimbo da URSS mas, ainda assim, me jogaram de cabeça na história do leste europeu. Só pisando na Rússia recente pra ver como, mesmo com um shopping a cada esquina e um Mc Donalds à frente do Kremlin, a herança soviética ainda é tão presente - nos blocões de apartamentos com o machado e a foice se cruzando acima da porta, nos Ladas de quem ficou pra trás quando a Rússia engatou definitivamente no capitalismo e na pobreza incombatível na capital mais cara do mundo, Moscou.
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| Militarismo forte: herança soviética na Rússia |
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| Estação de metrô Avtovo, em São Petersburgo |
Em São Petersburgo, a resistência não é tanta: o metrô tem sinalização em caracteres ocidentais e a população, mesmo que não esteja acostumada a hordas de turistas, pelo menos não os rejeita. Sempre há alguém que ainda gosta de conversar sobre o que presenciou há poucas décadas, como a dificuldade pra se ter um eletrodoméstico: mais frequente que as filas para comprar uma televisão era a falta delas em estoque - pra não ter que voltar pro fim da fila de mãos vazias, o camarada comprava qualquer outra coisa, como uma geladeiras de segunda mão.
Recordar a miséria, o totalitarismo, a linha tênue entre ideologia e abuso de autoridade e o excesso de contradições não deixa saudade mas, pela certeza do que não queriam, o comunismo e a URSS sempre causarão nostalgia. Especialmente pra quem não pôde ver.
| Escritório pessoal de Trótsky, na casa onde foi assassinado, na Cidade do México |
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| Praga: hoje, dificilmente se percebe qualqer influência soviética |
Veja por onde andar pra reviver um pouco desses anos:
- Na Nevsky Prospekt, avenida principal de São Petersburgo, experimente o Borsch, sopa tradicional da cozinha soviética, ou mate a saudade de casa com um conhecidíssimo Strogonoff. O Soviet Cafe tem tudo isso e decoração que mergulha o visitante no estilo de vida da Rússia dos anos 60,70 e 80. - Nevsky Prospekt: o centrão de São Petersburgo
- Experimente comida da ex-Iugoslávia, em Moscou. No aconchegante restaurante dentro da embaixada que ainda carrega o nome do país, sérvios, croatas, bósnios e montenegrinos lamentam a separação do país e relembram as épocas de prosperidade - comendo muito porco com batatas e secando garrafas de vinho. Não dispense o Karadjordjeva Schnitzel, um saborosíssimo steak de porco recheado à milanesa.
- Passe um dia inteiro na Praça Vermelha, em Moscou. Há muito o que se ver, fazer e descobrir na, até hoje, sede do governo russo e palco dos desfiles militares. - 10 motivos pra dedicar um dia integral à Praça Vermelha, em Moscou
- Visite o Museu do Comunismo, em Praga. A cidade que se descolou mais rápido e com mais eficiência do estilo de vida paradão do ex-bloco, tem um espaço pequeno, mas com recordações fantásticas. - Em Praga, o Museu do Comunismo
- Moscou era a matriz, mas nunca conseguiu tanta fama quanto sua filial, Berlim. A capital alemã é o destino mais lado B da Europa Ocidental e ainda preserva suas cicatrizes, como os restos do Muro de Berlim. - Mais Berlim!
- Fisicamente longe da muvuca, mas também muito envolvida, a Cidade do México foi o último refúgio para o principal braço direito de Lênin. A casa onde Léon Trótsky foi assassinado ainda conserva mobília original da época do seu mais ilustre morador. - Cidade do México: Eles passaram por aqui
Veja mais:
- Rússia: antes que tudo pareça impossível
- Praga, a cidade das torres
- São Petersburgo, sobre czares e Bolcheviques
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- Todos os posts sobre a Alemanha
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