sábado, 23 de junho de 2012

Euro 2012: vai dar Portugal!

Porto, Portugal

Estou torcendo mesmo, na cara dura! Eurocopa é a Copa do Mundo que o brasileiro pode escolher o time. Portugal é um canto especial pra mim, por causa desse negócio de origens e tudo mais - a véia é de lá.

Lisboa, particularmente, concorre em preferência até com o meu berço, São Paulo. Este projeto de revitalização do Terreiro do Paço - ou Praça do Comércio - que está em andamento promete deixar a cidade ainda melhor, numa das áreas mais bonitas de Lisboa, mas que andava deserta demais durante a noite. Não vejo a hora de conseguir um tempo pra rever esses tugas.
Ainda está sobrando gente boa pra concorrer com os portugas e, ente nós, tupiniquins, os favoritos são Itália e Espanha - destinos de respeito independente de qualquer crise. Então vamos, latinada! E, se por alguma razão, franco-descendentes acharem que eu esqueci alguém, é porque este post está sendo escrito no meio do jogo Espanha x França. E meu palpite não é azul =D

Mais posts sobre países de quem ainda torce:
- Portugal
- Espanha
- Itália
- Alemanha

E outros posts de países de quem já está tristinho:
- Rússia
- República Tcheca

segunda-feira, 18 de junho de 2012

Dusseldorf, um dia e uma noite

O segredo da Alemanha são os telhados!

A Alemanha é sofisticada, é objetiva, é pioneira e simplista, mas a gente nunca sabe se ela é quem influencia ou se é influenciada. Não tem nada a ver com economia ou com os deliverys de pacotes e mais pacotes que ela tem feito a países quebrados, como a Grécia. Aí sim está claro quem dita as regras.

Mas quanto ao estilo de vida, Hamburgo e o resto do norte curtem os hábitos escandinavos, de boa comida e estações bem definidas; ao leste, Berlim tem os últimos resquícios da Alemanha socialista; Munique, ao sul, é muito próxima da República Tcheca e Áustria e, como não podia deixar de ser, cerveja.













E Dusseldorf, que na primavera cai muito bem pra quem estiver pela Holanda, Bélgica ou a própria Alemanha, permite uma passada rápida, mesmo que só de um dia. O que ela não permite, assim como seus vizinhos, é que se ignore a noite.

O povo é festeiro, a comida é boa. A bebida melhor ainda. Que injustiça chamar os alemães de quadrados. E que injustiça maior ainda creditar toda a simpatia só aos alemães, quando metade ou mais das pessoas empregadas no setor de serviços são de fora. Italianos, turcos, árabes, romenos, poloneses, são várias comunidades. Arrisque um danke (obrigado) na hora errada e veja a boa vontade sumir na hora.


Fim de  tarde em Dusseldorf e as mesas dos resaurantes começam a se espalhar

A prioridade é da cerveja, asm também tem lugar pros vinhólatras

Dusseldorf causa, como em qualquer outra grande cidade alemã, espanto pelo desenvolvimento absurdo. É uma utopia do funcionalismo e tudo corre bem. Os guardas, por falta de atividade, esperam pelo turista que atravessa fora da faixa só pra mandar voltar. Ainda em tempo, um pouco de moralismo: não dá pra acreditar como esses caras foram destruídos duas vezes nos últimos 100 anos e estão neste estágio, enquanto nosso Brasil vive a euforia do país do futuro há sei lá quanto tempo e não consegue fazer uma ferrovia ente suas duas principais cidades.

Dusseldorf: ruas apra pedestres levam do centro ao cais

Aí, pra espantar de novo, vêm os preços. O bom é que eles espantam, não por serem altos, mas por sua acessibilidade. Um schnitzel de frango com batatas, que serve até duas pessoas - no meu caso, uma =D -, sai por 9 Euros no Schweine Fanes, um bar/restaurante com mesas na calçada, bem na rua principal da cidade velha, a Bolker Strasse. Pra bebida, weissbier é sempre opção sem erro, mas uma altbier, cerveja escura por causa do trigo queimado, esquenta a temperatura amena da noite.

 
Karlsplatz, principal referência pra se localizar no centrinho

Vista do alto, pela Rheinturm, o segredo da cidade é revelado: os telhados. Dusseldorf tem um mosaico deles, escodendo das atrações mais discretas aos principais pontos de interesse. Tudo fica na margem direita do rio Reno. Faça seu checklist do k: O K21 é o museu de arte contemporânea; o K20 é mais vanguardista e tem Klees, Picassos e Dalis originais; a Karlsplatz tem mercado de rua todo fim de semana servindo vinho quente e salsicha com espinafre.

Telhados vistos da Rheinturm
 
Espinafre, bacon, batata, repolho, salsicha. Dá pra ser mais alemão?

Dá! Com cerveja =D

Calçadão do cais e as torres de observação da Burgplatz




E a Konigsalle é avenidona da parte planejada de Dusseldorf, com quarteirões quadradinhos e forrados de lojas de marca. Adjacente a cidade velha, o cais funciona como calçadão. Depois de passar pelas ruas apertadas do centro (nem tanto pela distância entre um lado e outro, mas pela qantidade de mesonas das cervejarias), a cidade se abre num imenso espaço livre. De dia, pista para bicicletas, patins e corrida pra curtir a primavera. De noite, um quilômetro de bares à meia luz, da Burgplatz à Rheinturm.

Próspera e comercialmente importantíssima para o país, Dusseldorf tem apenas 500 mil habitantes. É frequentemente rankeada entre as 10 melhores cidades pra se viver e tão compacta, que é capaz que você não use transporte público algum, além do trem do aeroporto ao centro. Se estiver por lá num bate-volta de trem a partir de Frankfurt, Colônia ou Amsterdam, o melhor é sair mesmo caminhando. Por ar, a maioria das aéreas low costs cobre a cidade com até mais de um vôo diário.






Mais posts sobre a Alemanha:
- Alemanha, modo de usar
- Munique a qualquer hora
- Mais Berlim
- Frankfurt: existe vida além da escala
- Neushwanschtein, o castelo que inspirou Walt Disney
- Dachau, o primeiro campo de concentração da Alemanha

sexta-feira, 15 de junho de 2012

Colônia, Alemanha


Olha só quem dava uma voltinha no centro de Colônia (Koln), na Alemanha, sem ser incomodado, até que minha discreta amiga Analia gritasse "Michael Bublé!" num tom que, bem provavelmente, deu pra escutar do Brasil.

Ah, eu também estou na foto, mas do outro lado da câmera =D.

Ainda sobre a Alemanha, vem por aí: De Frankfurt a Mainz, Museu Gutenberg e a primavera de Dusseldorf.


Veja mais sobre a Alemanha:
- Berlim
- Munique
- Frankfurt

quarta-feira, 6 de junho de 2012

Inglaterra: Londres e além


Parlamento de Londres
Londres está prontinha. Julho vai ser o mês que muita gente esperava pra chegar, seja pra ver as Olimpíadas pela televisão ou pra quem vai curtir lá mesmo. Presenciar o clima dos jogos no local é uma experiência impagável - às vezes, literalmente, considerando a que patamar pode chegar uma cidade que já é cara, como Londres.

A luz e a cor trazida por um evento tão especial completa uma cidade que, apesar de fantástica, sempre sofreu com a fama de cinzenta. É como se essa névoa tapasse muito do que ela tem de bom e, com a chegada das Olimpíadas, Londres pudesse mostrar sua vibração, novamente.


Palácio de Buckingham, em Londres

E se a capital está sempre encoberta, o resto da Inglaterra, então, sofre ainda mais. Não só com o clima, mas com o efeito que Londres, pra bem ou mal, provoca em quem aporta lá pra visitar uma cidade e, normalmente, nem liga pro resto do país.

Planejando passar por lá antes, durante ou depois de julho, por que não dar uma volta pra descobrir mais sobre a Inglaterra, além de Londres e as Olimpíadas?

Lá vai, então, uma lista de palpites para fuçar pelo maior país do Reino Unido:


Birmingham


Newcastle

Stratford upon Avon



Londres
- Londres é o mundo, agora faz sentido
- Londres real, a troca da guarda
- Fotografe o Big Ben
- Londres me paga
- Onde você moraria?

Birmingham
- Inglaterra, por cantos não tão conhecidos: Birmingham

Newcastle
- Por mais cantos desconhecidos da Inglaterra: Newcastle

Stratford upon Avon
- A cidade onde nasceu Shakespeare, a um bate-volta de Londres

domingo, 3 de junho de 2012

Inglaterra, por mais cantos desconhecidos: Newcastle


Qualquer lugar que mescle futebol e cerveja já ganha minha simpatia, de cara. Pode haver outros motivos também, até melhores, mas povo que bebe e torce com paixão não pode ser coisa ruim.

Mais de 400 kms longe de Londres, Newcastle está bem ao norte da Inglaterra e, como comprova o sotaque, bem pertinho da Escócia. Só não comente nada disso perto de um local, quando para eles a Inglaterra continua sendo tão principal, enquanto a terra dos homens com saia é apenas um anexo.

Newcastle tem um time de futebol que, se não é dos mais fortes, continua tradicional e respeitado por qualquer grande da Inglaterra. E o estádio... bom, faça uma busca por figuras no Google pra ver se eu estou exagerando se disser que é sensacional - uma caixa linda, ousada, não tão sólida como manda a arquitetura bretã, mas que comporta mais de 50 mil pessoas com conforto e segurança. Será utilizado, inclusive, para as Olimpíadas de 2012.


Estação Central de Newcastle


De uma forma geral, não sei como ingleses e alemães fazem, mas pode jogar time que não ganha nada contra time que nunca ganhou coisa nenhuma e o jogo lota, seja qual for a capacidade do estádio. E não é porque é Europa, não. Na Itália, por exemplo, até jogos do Milan tem publico fraco, às vezes. Alemanha e Inglaterra têm, sem dúvida, os maiores "Paysandus" e "Santa Cruz" do Velho Mundo - tradição importa mais que a divisão.

Mas é claro que, uma vez que estaria lá, não custava nada ver algo mais além de esportes. E qual foi a bela surpresa quando descobri que Newcastle é não só uma das cidades mais bonitas da Inglaterra, como uma das que tem a melhor vida noturna. Um cenário que passa de vila medieval durante o dia para paraíso dos bebuns ao anoitecer.

As primeira das ponte feita para atravessar o Rio Tyne

Central Arcarde, tradicional complexo de lojas e restaurantes do centro da cidade



Mesmo na primavera faz bastante frio. Deduzi que a falta de roupa do pessoal era porque aquela era a oportuniadde menos pior pra se usar a moda verão, mas me disseram que aquilo era bem normal. O cara que me disse, aliás, era autoridade no assunto, funcionário do Central Arcade, shopping construído há mais de um século no centrão e que merce uma volta, seja pra comprar uma lembrancinha ou ir a algum dos restaurantes.


Pints em pubs autênticos logo que a noite começa a cair

O sol mal caía por trás das pontes de todas as épocas que ligam Newcastle, na margem norte, a Gateshead, na oposta, e o casario do compacto centro da cidade já começava a se acender, revelando um pub colado ao outro. Os lugares que ainda estavam apagados eram bares ou boates que se revelariam mais tarde. São só 300 mil habitantes e Newcastle não figura nem entre as 10 maiores cidades da Inglaterra mas, com a fama de cidade cool, o país acabou fazendo da cidadezinha ao norte um dos destinos preferidos dos notívagos. Faz todo sentido, já que por quase metade do ano, o sol se põe as quatro da tarde na Inglaterra - as outras cidades é que estão na contramão, completou o mesmo barman, ainda no Central Arcade, antes de me me indicar uma passada no cais.




Millenium Brige: ponte inclinada e que muda de cor


No cais, entrei no Pitcher Bar & Piano, da mesma rede que tem filiais em Londres e Birmingham. A pompa da fachada envidraçada engana - um bar que parece ser para executivos fazendo negócios não passa de um pub super agradável e relaxado, com vista para a Millenium Bridge, uma ponte inclinada (muito semelhante a Puente de la Mujer, em Buenos Aires) que muda de cor e, através do reflexo no rio Tyne, transforma a iluminação de todo o porto. Em meio há tanta gente de camisa de manga curta, eu era o único que sentia a brisa do rio esfriando e tive que colocar a toca. Virei atração turística, mas pelo menos me livrei da gripe. Ainda ali, no Pitcher & Piano, percebi também que mesmo Newcastle sendo uma cidade da noite, as cozinhas fecham cedo. Está no DNA inglês, eles conseguem viver de álcool e comida é para os fracos.

Uma cidade muito mais jovem que seu aspecto medievel e muito mais bonita que suas vizinhas compatriotas. Uma parada perfeita pra uma viagem de trem pelo Reino Unido. Um prato cheio pra quem gosta de fotografar, com as centenas de ângulos que a diferença de relevo e as pontes oferecem. Compacta, agradável e para ser conhecida a pé. Se não é pra ser eleita um destino preferido, sempre vou lembrar de Newcastle como uma das melhores surpresas.

Sem contar que ainda preciso dar um jeito de voltar, porque me empolguei demais com o resto e não deu tempo de chegar nem perto do estádio.








Veja também:
- Por cantos não tão conhecidos da Inglaterra: Birmingham
- Londres me paga
- Fotografe o Big Ben
- Londres é o mundo: agora faz sentido
- Londres real: a troca da guarda
- Bate-volta de Londres: Stratford upon Avon, onde nasceu Shakespeare