domingo, 29 de julho de 2012

Estocolmo: turistando como um local


Djurgarden: um dia no maior e mais bonito parque de Estocolmo

Tenho certeza que os suecos sabem viver no frio. Afinal, se não soubessem, não seriam suecos. Mas é uma pena olhar a forma como os caras sabem curtir o verão e saber que ele se apresenta por ali por menos de 3 meses.

Depois de um primeiro dia indo onde todo turista vai, o segundo foi pra curtir Estocolmo à moda da casa. Um dia no parque pra ver as árvores cheias,  comer cachorro quente e tomar sorvete. Há cerca de 40 minutos de caminhada do centro velho está a Djurgarden, uma das ilhas mais bonitas de Estocolmo. O caminho não é rápido, mas nem sequer passou pela minha cabeça fazer este trajeto de outra forma que não fosse caminhando. As ilhas são todas umas muito perto das outras, quase sempre conectadas por pontes lindas e, quando este não é o caso, lá estão os ferrys. Um wine bar logo na entrada do parque com estacionamento pra jet skis não te deixa esquecer quão classudos os caras são, até para um dia no parque com a família.





Na escolha entre cidades ou natureza, fico com a agitação urbana, mesmo que ainda goste bastante de mato e praia. Mas, melhor ainda, é poder conciliar os dois. Em Estocolmo, o parque só pode ser tratado como ilha no sentido literal, não como uma "ilha de refúgio", como o Ibirapuera ou o Central Park, por exemplo. O Djurgarden, por maior que seja, é só uma amostra de quanta natureza dá pra encontrar por ali, especialmente em ilhotas mais longínquas do Arquipélago de Estocolmo. Mas
o tempo era curto e isso fica sendo motivo pra voltar.

Alguns momentos no Djurgarden e me dei conta de duas coisas: 1 - a ilha é muito mais deslumbarnte que qualquer descrição que eu possa tentar fazer. 2 - os suecos eram turistas vindo de outras partes e os locais eram imigrantes que, em sua maioria tinham origens bem distantes da escandinávia. Mohammed, o egípcio da barraquinha salsichas, disse que o passado viking já etá há muito substituído por uma cultura de imigração, principalmente de sérvios, croatas e outros povos do leste europeu. É bom por um lado, ele me disse, sabemos que não estamos sozinhos. Mas o preconceito sempre existiu e sempre vai existir se sua buchecha não for rosada, ele brincou, mesmo falando de um assunto sério.





É muito inocente da minha parte, mas eu ainda acredito muito no homem, mesmo sabendo que é muito mais por querer acreditar que pelo que foi feito até agora. Mas, de fato, a "procedência" do turista ainda é, infelizmente, muito relevada.

Mohammed também me alertou que, por questão de dias, acabei perdendo o Midsummer Eve, o maior festival anual da Suécia, que celebra o dia mais longo do ano com danças e comidas típicas e pessoas vestidas a caráter. Não fosse a cidade tão fantástica como ela é, mesmo sem festival algum, eu ficaria bem chateado. De qualquer forma, acho que da próxima vez vale checar o calendário de eventos, como o TimeOut Stockholm, que é gratuito e tem informações completas.


Vasa Museum, um museu com um navio no meio

Repleto de maquetes e reproduçÕes de todos os tamanhos



Não importa a data, o Djurgarden é repleto de museu e atrações, das quais eu escolhi a mais óbvia, porém que pareceu ser a melhor, o Vasa Museum. O Vasa é, resumidamente, um museu que tem um navio no meio. Aliás, é um navio que tem um museu em volta, já que a estrutura foi construída pra se contemplar a embarcação de guerra - chamada Vasa - que naufragou há quase 400 anos, e que foi resgatada há cerca de 50. Graças a baixa salinização do mar naquela região, 90% da contrução original pode ser salva e trazida de volta a superfície. O museu, construído mais ou menos em forma de teatro, tem 6 andares (mais um subterrâneo) para que cada detalhe do navio seja visto por vários ângulos. Em vez de murais chatos e longos textos, maquetes estão por todo o museu mostrando desde como era a rotina no Vasa até o seu resgate. E ainda há reproduções em tamanho real das cabines do capitão e seus imediatos. Pra qualquer público, pra qualquer idade - uma exibição tão interessante e dinâmica que fica até difícil chamar o lugar de museu.


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Estocolmo a Helsinki de ferry: o dia que não teve noite

Veja também:
- Escandinávia: pra curtir a rota
- Escandinávia 2: de Copenhagen a Estocolmo de trem
- Escandinávia 3: Estocolmo

sábado, 21 de julho de 2012

Escandinávia: Estocolmo

Gamla Stan, o cidade velha de Estolcomo

Ferrys são mais comuns que ônibus, ilhas oferecem visões de fora da cidade e parece que tudo foi pintado e reformado só pra te receber. Incrível. Estocolmo foi, logo a primeira vista, incrível. Eu esperava encontrar uma cidade bonita e bacana mas, mesmo assim fiquei supreso. Encantado, pra dizer melhor.

Cheguei depois das 10 da noite e o céu ainda claro, amarelo. A iluminação da rua ainda estava desligada, embora os interiores, todos visíveis por causa das fachadas envidraçadas, já estivessem acesos. É como uma cidade vitrine - nem precisa entrar ou dar uma espiada da porta pra saber o que está acontecendo. Tudo muito atraente, bem decorado e uma segunda impressão ainda mais descolada que a da Estação de Trem em Copenhagen.

Ferrys vêm e vão pelas dezenas de ilhas que pertencem a cidade




Um certo esforço pra não parar dentro de nenhum dos bares que, mesmo antes do sol se por e em dia de semana, estavam quase cheios. Só pra conseguir chegar ao hotel e deixar as malas. Simpatissísima, a recepcionista me deu a chave, informações sobre a cidade, os lugares que ele mais gostava e ainda lembrou-se de atender uma requisição que eu tinha feito: quarto em piso alto e de frente pra rua, se possível. Serviço de primeira, que depois eu me toquei que não tinha a ver só com serviço - todo mundo é simpático, todo mundo gosta de conversar e todo mundo gosta de receber uma visita. Não se preocupe se esquecer o carregador da câmera ou se o café em que você parar não tiver tomadas ao lado das mesas - o barista certamente vai etntar de ajudar de alguma forma, mesmo que tenha que plugar a bateria do lado de dentro do balcão.

E não é só questão de simpatia. Esses caras tem que tomar cuidado porque, se não, sueco acaba virando segunda língua. Eles não travam a língua pra falar inglês, não falta vocabulário e a pronúncia é a mais agradável possível.





Em dois dias, não tomei transporte público nenhuma vez, embora as distâncias, às vezes, não fossem tão curtas. Não queria desperdiçar a chance de ver com calma o pouco que veria. As pontes, as ilhas, a cidade velha - Gamla Stan - cheia de barzinhos criativos com vigas visíveis e menus pintados na parede. Vielas apertadas e lojas de cacarecos aos montes, mas até elas se preocupam em não vender só o basicão. Um item puxa o outro, um conjunto combina com o outro. Fiquei curioso pra saber como é a casa de uma família sueca por dentro... se bem que com tanta tranqueira diferente, acho que não existem duas sequer similares.

Palácio Real: bonito por fora, mas pule a visita guiada se tiver pouco tempo

A coisa mais fácil que há é gastar um dia inteiro pela Gamla Stan, a ilha mais pitoresca e de arquitetura mais marcante de Estocolmo. É por ali que fica concentrado o maior movimento e diversos píers - como Estocolmo é composta por várias ilhas, embarcações vêm e vão o tempo todo, desde barquinhos simples que te levam ao outro lado em 5 minutos à jantares românticos que duram a noite toda. Desses píers, as ruazinhas estreitas de relevo muito acidentado levam todas para pracinhas medievais charmosas, onde sempre há um artista de rua ou um monumento gigante.




Vista do elevador panorâmico na ilha que fica ao final da Gamla Stan

E ainda mirantes pra que se contemple tudo isso do alto - atravessando a Gamla Stan até o fim, em linha reta, há acesso para um elevador panorâmico gratuito com 360 graus de vista e uma cervejaria descolada. É fácil, ridiculamente fácil, perder a hora caminhado por ali. Especialmente nesta estação onde a noite praticamente não existe.

Quando vi as pessoas jantando, acabei me dando conta de que horas eram. Sol lá em cima, provavelmente esquentando mais que ao meio dia, mas já eram 8 da noite. Hora, então, de se arrumar e ir para o Stureplan, bairro da vida noturnoa de Estocolmo. Era noite de Portugal x Espanha pela Euro no O'Larrys, pub desses que passam esportes e servem onion rings e etc. Tenho que confessar que adoro. Mesmo com toda a temática votlada pro baseball (um dos esportes que eu menos me interesso) e toda a comunidade espanhola reunida por ali (e eu torcendo pra Portugal), foi uma noite divertidíssima. Só precisei incorporar um pouco de espírito esportivo, já que Portugal perdeu e eu fui recusado de entrar em duas casas casas noturnas por seguranças que diziam que eu estava bêbado. Consegui entrar em um terceiro e, no dia seguinte, quando acordei, dei razão pros caras.

Stureplan, bairro da bohemia




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Estocolmo: turistando como um local


Veja também:
- Escandinávia: pra curtir a rota
- Escandinávia 2: Copenhagen a Estocolmo de trem

sexta-feira, 20 de julho de 2012

Escandinávia: Copenhagen a Estocolmo de trem


Copenhagen foi a primeira e mais rápida parada de todas. Acabei indo pra lá só pra poder pegar o trem até Estocolmo. A imigração foi rápida e sem complicação. Uma policial bonitona checou e devolveu meu passaporte sem fazer questão alguma, sorrindo.

Do aeroporto à Estação Central de Trem, como era de se supor, foi bico. Uma maquininha simpática, que aceita cartão, emite o ticket em dois cliques. Tem gente pra ajudar e guichê humano, também. Fila zero. O trem aparece logo e, mais logo ainda, alcança o centro da cidade, em cerca de 15 minutos. Passei pela quiet area, que tem as luzes reduzidas e até o ruído de alguém digitando pode
incomodar, mas não fiquei - não queria cochilar e perder o ponto.

Comida dos cafés de estações de trem européias raramente decepcionam...


Faltavam, ainda, mais de duas horas pro trem partir pra Estocolmo, quando cheguei à estação. Dava pra sair e sentir o gostinho de estar em Copenhagen, ao menos para um café. Mas essas estações de trem da Europa... se o  negócio for café, procure uma - nem que não esteja indo viajar


Na Dinamarca, a primeira impressão que tive da Escandinávia foi exatamente a que eu esperava: cool. Até o McDonalds e o Seven Eleven tem algo diferente. Respira-se ousadia e alegria em tudo, das embalagens que você carrega na mão ao ambiente em que está. Projetos de decoração de interiores e exteriores sem ser usados simplesmente pra fazer você consumir mais, mas voltados pra qualidade de vida. Onde mais uma Coca-Cola pode ser lançada com tão pouco vermelho na garrafa?



O ticket reservado pela internet foi uma tranquilidade a mais que, logo, quando fui trocar o recibo pelo bilhete físico no auto atendimento da SJ, companhia de trens da Suécia (www.sj.se), se mostrou ainda mais útil pois, quanto maior a antecedência, melhor o preço. Dias úteis são mais baratos que fins de semana e, fuçando o sistema de compras do site bem a fundo, dá pra comprar assentos de primeira classe por preço de segunda (cerca de 60 ou 80 Euros). Como ponto negativo, fica a escolha de assentos, que não é disponibilizada por mapas e obriga o usuário e digitar um número aleatório, sem saber se ele está vago ou não. Problema que, novamente, pode ser resolvido no escritório da SJ, na própria estação de trem.






Finalmente embarcado, a viagem de 5:30 é uma das mais indicadas para entusiastas de ferrovias (\o/), perfeita pra por o Instagram em ação. Às vezes, um paredão de árvores altas encobre a vista mas, quando se está em campo aberto, as paisagens são bucólicas. Casa isoladas numa grama verdinha, nuvens macias enfeitando o céu e um friozinho na medida certa pra continuar no café.

Enquanto o trem está cruzando a ponte que passa da Dinarmaca para a Suécia, ainda na primeira hora de trajeto, a comissaria anuncia os serviços disponíveis, incluindo um vagão bistrô. Preferiram não chamar de restaurante, me disse o caixa, porque eles não preparam refeições. São apenas sanduíches, saladas e pratos prontos que ele próprio esquenta no micro ondas. Fiquei ali por um bom tempo e, apesar de não ter muitos lugares, o bistrô nunca chegou a lotar. Até o funcionário faz tudo veio me dizer que o café era refil. Boa notícia que me deixou ali por mais de duas horas.



Voltei para o meu assento que, apesar de confortável, não tinha metade da graça e da atmosfera do restaurante. Passei pelos outros vagões pra ver a diferença e vi que, por força passageirística, eles acabam sendo temáticos: o que carregava a excursão de famílias árabes tinha mais sacolas que pessoas. E olha que família árabe é grande! Mãe, pai e babá pra cuidar da meia dúzia de herdeiros. O que abrigava o pessoal da China foi o lugar com maior número de pés-na-mesa per cápita que eu já estive. Bastante tipo estranho, pra falar a verdade. E o vagão em que eu estava era o mais vazio mas, como meu assento era muito bem localizado em relação à janela, alguém já tinha roubado. Fiquei contente que o cara que estava lá era apenas um chulezento e pedi pra ele sair.

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Escandinávia: Estocolmo

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quinta-feira, 19 de julho de 2012

Escandinávia: pra curtir a rota


Estocolmo

Junho é a última oportunidade de ir a Europa antes da multidão se espalhar pelas mesinhas na calçada. A criançada está nos últimos dias de escola, os asiáticos não chegaram e ainda não é, oficialmente, verão.

O norte, na verdade, nunca chega a lotar. Da Alemanha pra cima é totalmente encarável. O duro é que, mesmo sem receber a mesma quantidade de turistas que Itália ou Espanha, o aumento é suficiente pra colocar os preços no mesmo patamar.

Estação Central de Trens, Estocolmo

Paisagens na janela do Alegro, trem que vai de Helsinki, Finlândia, à São Petersburgo, na Rússia

E a Escandinávia, em especial, nunca precisou estar em alta estação pra ser cara. Sustentar a qualidade de vida de gente que fala quatro ou cinco idiomas e arrisca mais uns três não é fácil. São exportadores de padrões, de idéias e de conceitos - enquanto muita gente torna a sustentabilidade um luxo, os escandinavos fazem da reciclagem um dos negócios mais rentáveis.

O IKEA (rede internacional de móveis design), por exemplo, continua na moda na Europa toda por lançar tanto produto feito de restos. Design que, nesse canto mega desenvolvido do mundo, não é exceção. Nada passa pro consumidor final sem, antes, passar por um estudo de ergonomia e estética. Se eu não tivesse desistido da carreira há alguns anos, aliás, era lá que eu ia sair espalhando currículo.

Na Finlândia, o sol da meia-noite

Peguei a última semana do mês, então, pra ir de Copenhagen (Dinamarca), à São Petersburgo (Rússia), passandopor Estocolmo (Suécia) e Helsinki (Finlândia). Só cidades grandes porque: 1- são onde as coisas acontecem e 2- são as melhores provocações que se pode ter pra ficar com vontade de voltar e ver o resto desses países.

4 países, 2 continentes, 2 trens, um mini-cruzeiro, um dia que não teve noite e minha primeira viagem de rotas, priorizando mais o percurso que os próprios destinos.


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Escandinávia: Copenhagen a Estocolmo de trem


Veja também:
- Escandinávia: Estocolmo
- Estocolmo: turistando como um local

segunda-feira, 2 de julho de 2012

Rio é patrimônio da humanidade!


Lá longe, na Ucrânia, não deu Portugal. Que pena. Mas era a lógica - jogaram bem mas, afinal, perderam pra campeã.

Ali do lado, na Rússia, deu Rio! Outra vez, era a lógica. Afinal, como assim uma cidade dessas não era, ainda, patrimônio da humanidade? Não é só isso: o Rio não tinha nenhum de seus atributos, seja naturais ou arquitetônicos, listados pela UNESCO como patrimônio mundial.

A divulgação oficial foi feita ontem, em São Petersburgo, outra bela cidade. Como nada é por acaso, veja só qual foi a primeira catalogação em que a cidade maravilhosa - na hora de comemorar, clichê é válido - foi incluída: Paisagem Cultural Urbana.
Nunca ouviu falar? Sim, porque o Rio é o primeiro da lista. A categoria foi - com uma certa dose de fanatismo, agora - criada para que a cidade fosse incluída.

O Rio nunca precisou de listas para ter a importância que tem. É o Brasil do imaginário, o Brasil que quem vem pra cá, quer ver. É única, excêntrica e, mesmo sem poder ser imitada, é referência. Então, ministros e ministras que não perdem a chance de fazer um lobby, favor parar de dizer que a escolha do juri se deu por causa de um "excelente trabalho, que evidencia as característas e blá blá e blá".

Pra quem já foi ao Rio, lá vai a lista das 17 maravilhas brasileiras reconhecidas mundialmente, a qual a cidade acaba de se juntar. Pra quem nunca fui ao Rio, já deu essa de que a cidade é violenta, né?

- 18 Patrimônios da Humanidade no Brasil: ninguém mais pode mexer

Mais sobre o Rio
- Rio de Janeiro: e se chover?
- O maior problema do Rio de Janeiro
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- O mundo no Brasil
- Quando o Brasil descobrir o tamanho que tem
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