quinta-feira, 23 de agosto de 2012

Finlândia: 24 horas em Helsinki



Olha, chegar a um lugar exótico como a Tailândia te faz se sentir muito longe. A Nova Zelândia, então, que é depois do outro lado do mundo, te faz sentir em outro universo. Mas o que dia que eu me toquei qeu eu estava na Finlândia... caramba. Esse lugar é tão longe, mas tão longe, que inventaram que o Papai Noel mora lá porque, criando a história num lugar desses, não há risco de criança desconfiada alguma ir lá investigar os fatos.





Chegar na Finlândia foi a glória. Sentimento de conquista, mesmo. Me senti um navegador desbravado. O clima, cerca de 15 graus com céu aberto, é um presente dado, em menos de um décimo do ano, a uma população acostumada ao frio intenso, camadas e mais camadas de gelo, árvores ressecadas e lagos patináveis.

Todos os cúmulos vistos em Estocolmo estavam lá também: o da simpatia, da educação, da receptividade e da organização. Helsinki já recebe quem chega por água no maior mercado de rua da cidade. Em frente a prefeitura, a feirona tem barracas de bugigangas que não são tão bugigangas e comidas de rua que dão um banho em muito restaurante. Não pelo sabor, até porque geralmente comida de rua compete forte com qualquer restaurante estrelado. Mas pela higiene, pelos produtos frescos e a apresentação, não só da comida, mas das feirantes também, que podiam ser modelos. Ou tradutoras, já que a mais simplezinha tinha 5 bandeiras de idiomas coladas ao crachá com seu nome.






A opção por trabalhar na feira também não é das piores, já que cobrar 20 Euros por um prato de peixe servido no papelão não é pra qualquer um. E mais: vale cada centavo, a ponto de querer repetir. Ainda mais sabendo que os mega desenvolvidos finlandeses aceitam, até na barraquinha improvisada, cartão.

Minúscula, Helsinki é 100 por cento feita pra ser caminhada. Há metrô e metrô leve - que eu insisto em chamar de bonde - também mas, pela primeira vez, eu queria poder ver as coisas no meu ritmo. Assim como Estocolmo, há a parte peninsular e as ilhotas espalhadas aos montes pelo mar báltico. A mais famosa, que tem os restos de uma forteleza militar, teve que ficar pra próxima. Eram só 24 horas e eu estava a fim, mesmo, de saber porque Helsinki é considerada uma das cidades mais inovadoras e carro-chefe do design, sendo eleita, inclusive, capital do design em 2012.




É engraçado ver que, das lojas de departamentos aos cafés, os caras invertem a ordem das coisas
para continuarem sendo pioneiros - os negócios, ao invés de serem regidos por empresários que investem em design, são liderados por designers que aprenderam a empreender. O bairro cool de Helsinki, inclusive, chama-se design district. Chegando lá e comparando com o que tinha visto até então, fiquei sem entender qual parte da cidade era o no design district.

Entrar em um barzinho descolado, desde de Estocolmo, já estava virando rotina, sem nunca virar chatice. Ficar encantado com cada detalhe pensando que aquela idéia podia ser minha me deixou mal acostumado.  A cultura de cafés facilita, já que não há lugar mais propício pra se arriscar design que um café. Tudo é meio experimental, mas ao mesmo tempo harmonioso como só alguém que manja muito poderia fazer. Desde colunas egípcias misturadas a tetos japoneses até as cadeiras tão contemporâneas, que me fizeram perguntar, várias vezes, se aquilo era mesmo confortável. Conforto também é prioridade pra quem desenvolve sabendo que as coisas têm que se adaptar as pessoas e não o contrário. No hotel, por exemplo, o chão esquentava pra gente poder andar descalço.

Falando em hotel, em Helsinki, acho difícil que alguém consiga estar mal localizado. Provavelmente, se a chegada não for de avião, não há necessidade alguma de usar outro tansporte que não seja as pernas. Depende do tamanho da mala, claro, e aí o bondinho elétrico silencioso vai te dar uma mão.

Pra fechar, uma noite classuda no Kappeli, um restaurante instalado no interior de uma ex-estufa, com três ambientes - bar, restaurante e self-service de bebidas. Todo envidraçado, oferece vistas lindas para o parque em que está instalado, o Esplanadin Puisto, e não menos bonitas para quem olha de fora pra dentro. Outra noite que que não foi noite, outra despedida, outra vez ansioso pelo dia seguinte, quando ia pegar o trem pra São Petersburgo.







Continua no post
Helsinki a São Petersburgo de trem, o último trecho


Veja também:
- Escandinávia: pra curtir a rota
- Escandinávia 2: de Copenhagen a Estocolmo de trem
- Escandinávia 3: Estocolmo
- Estocolmo: turistando como um local
- Estocolmo a Helsinki de ferry: um dia que não teve noite

quinta-feira, 16 de agosto de 2012

Estocolmo a Helsinki de ferry: o dia que não teve noite



O Sol da meia noite

Estocolmo foi provocadora por cada uma das 48 horas que pude gastar lá. Falta pouco pra cidade se tornar um dos destinos favoritos da Europa. Na verdade, não falta nada - a escassez de multidões é, na verdade, a cereja do bolo.

Acordei no dia que em que o ferry partiria pra Helsinki e, geralmente, esses dias de baldiação me deixam um pocuo ansioso. Mas dessa vez foi diferente, fiquei de olho no relógio e tinha certeza que, ao entrar no metrô, haveria indicação pra estação de ferrys. Saí do hotel tão seguro que, quando cheguei ao mapa pra olhar onde descer, já sabia que alguma legenda com desenho de barquinho ia aparecer. Lá estava ela, orientando qual a estação, a que horas o próximo trem viria e a distância a ser
percorrida a pé para chegar ao porto. Ao chegar à minha estação, foi só pisar fora do trem e seguir a sinalização, tanto das saídas do metrô, quanto das ruas, para estar no lugar certo e na hora... adiantada. Todo o trajeto não levou nem 20 minutos. Esse povo da Suécia não tem condição de viajar, acho que nada dá errado por aqui.

Bar e cassino do Sjlia Serenade


Estava triste por sair mas, ao mesmo tempo, com uma expectativa imensa para chegar à Finlândia e, de quebra, fazer meu primeiro cruzeiro. Digressão (ó o colegial servindo pra alguma coisa): o ferry que vai de Estocolmo a Helsinki é uma linha diária de um mini cruzeiro, que dura 15 horas. Das duas operadoras que fazem o trecho, Sjlia e Viking Lines, a Sjlia foi a escolhida por recomendação. Eles tem dois navios, o Sjlia Serenade e o Sjlia Symphony - enquanto um vai, o outro regressa. Eu fui de
Serenade que, de cima pra baixo, é: cobertura com um bar envidraçado e área panorâmica ao ar livre; 5 andares de cabines chiques com varanda; dois andares de bares, restaurantes, supermercado, cassino e balada, sendo um deles um convés com área externa na quals e pode dar uma volta por todo o navio; mais alguns andares de cabines sem varanda, mas com janelas; um estacionamento e; finalmente, o andar onde fiquei. Não tinha varanda e nem janela, mas por um motivo convincente: o quarto está abaixo do nível da água. Meio claustrofófico, mas o barulho do motor ajudava a dormir e o capitão, que não era italiano, não pretendia dar tchauzinho pra ninguém perto da costa.





Dá pra comprar antecipado pelo site da Sjlia e, entre diversas opções, a mais barata é pegar o número necessário de camas em cabines compartilhadas - todas por 4 pessoas do mesmo sexo. Tudo meio caro, mas a verdade é que a qualidade dos serviços e de todas as instalações não poderia ser melhor. O embarque é organizadíssimo. Rapidamente, todos estavam acomodados confortavelmente em algum lugar do navio para a partida. Nos restaurantes charmossos, cada um com seu tema, nunca havia confusão: era só marcar pra dali cerca de meia hora e pronto, seu lugarzinho estaria lá te esperando.



Tudo que pode haver de melhor em um shopping e um resort, combinados com janelas imensas e um cenario único e especial passando do lado de fora. Muito mais indicado para famílias e comprólatras que para um mochileiro, concordo. Mas uma vez na vida, especialmente numa viagem de rotas, caiu muito bem. 

O sol já começava seu eterno poente. Foram várias horas que esteve ali, quase tocando o mar, mas nunca desaparecia. As sombras no chão eram longas e, quando encontrvaam uma parede, pareciam pintura. Ele trouxe umas nuvens pra perto de si também, assim pôde caprichar na hora de desenhar seus raios. As 5 pra meia noite, não faltava mais nada, não dava pra olhar pra mais lugar. Inesquecível e inacreditável, ele estava lá: o Sol da meia noite. Isso sem contar que, quando ele resolveu se por de vez, não deixou sua luz sumir totalmente por nem um segundo - enquanto
o lado em que ele se despedia arroxeava, o outro, que estava completamente escuro meia hora antes, já estava amarelo, anunciado sua volta. Nascer e por do sol ao mesmo tempo. De graça, presenciei a coisa mais espetacular da minha vida.

Onze da noite...

Uma da manhã: o sol que se pôs por menos de uma hora já começa a voltar

Fim do poente enquanto: o mais escuro que aquele dia ficou


Era inútil esperar pela noite escura, então tinha que ir pra cama de qualquer jeito pra estar inetiro pra Helsinki. Viu como foi bom pegar um quarto sem janela?

Continua no post:

Veja também:
- Escandinávia 2: de Copenhagen a Estocolmo de trem